terça-feira, 11 de outubro de 2016

Propina na Petrobras era paga em parcelas, diz dono da UTC

O dono da empreiteira UTC, Ricardo Ribeiro Pessoa, afirmou nesta segunda-feira, 10, ao juiz federal Sérgio Moro, dos processos da Operação Lava Jato, em Curitiba, que os pagamentos de propinas no esquema de corrupção na Petrobras eram “automático” e os valores repassados “em parcelas fixas e mensais” aos executivos da estatal e aos partidos, em especial ao PT e PP.
Ele foi ouvido como testemunha de acusação em processo que apura corrupção de R$ 20 milhões nas obras do Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), no Rio.

“As primeiras vezes (os pagamentos de propina) eram durante a concorrência. Depois passou a ser uma coisa mais automática e mais…, não posso chamar de corriqueira, porque isso não é corriqueiro, mas era uma coisa que vinha uma atrás da outra”, afirmou Pessoa, ao explicar ao procurador da República Julio Noronha qual era o momento da cobrança dos valores de corrupção.
“Não havia esse momento, era sempre depois do contrato, porque que tinha que saber qual era o valor, qual era o fluxo de caixa do contrato, geralmente se pagava essas propinas não logo no primeiro ou no segundo mês, no meu caso eu sempre fazia a partir do quarto, quinto mês até três meses antes de acabar e transformava isso em parcelas fixas e mensais.”
Delator da Lava Jato, Pessoa foi ouvido como testemunha de acusação no processo que tem, além do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque – braço do PT no esquema de arrecadação de propinas -, o presidente afastado da OAS José Aldemário Pinheiro e o ex-tesoureiro do partido Paulo Ferreira.
“Metade (da propina) ia para a mão dos Partido dos Trabalhadores através do senhor João Vaccari”, explicou Pessoa. A outra parte ia para o que se chamava “Casa”, que era a corrupção dos agentes públicos sustentados nos cargos pelos partidos envolvidos.
Além do PT, o delator detalhou, mais uma vez, que o PP também recebia propinas referente aos contratos feitos pela Diretoria de Abastecimento. O valor fixo era de 1% do valor dos contratos – e em seus aditivos, em alguns casos.

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