quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Petistas do ABC dizem que PT tem de 'arrumar a casa' após derrota na urna

Ex-metalúrgico Juno Rodrigues Silva, conhecido como Gijo, é amigo de Lula e diz que partido precisa arrumar a casa (Foto: Glauco Araújo/G1)Ex-metalúrgico Juno Rodrigues Silva, conhecido como Gijo, é amigo de Lula e diz que partido precisa arrumar a casa (Foto: Glauco Araújo/G1)
As eleições municipais na Grande São Paulo revelaram perda de força do Partido dos Trabalhadores (PT) e também decretou o fim do cinturão vermelho. Mas a derrota mais “dolorosa” aconteceu no ABC Paulista, berço do partido e de Luiz Inácio Lula da Silva. Pouco mais de 24 horas após o resultado das urnas, a sensação entre os petistas, principalmente em Santo André e em São Bernardo do Campo, era de “ressaca”.


O PT, que tinha 9 prefeituras dos 39 municípios da região metropolitana, agora tem apenas um prefeito. Além de São Paulo, onde o prefeito Fernando Haddad perdeu as eleições para João Doria (PSDB), o partido perdeu as prefeituras de Santo André, São Bernardo do Campo e Mauá, na região do ABC, além de Guarulhos e Osasco. Já o PSDB, do governador Geraldo Alckmin, conquistou 11 prefeituras. Alckmin tem ainda o apoio de prefeitos eleitos de partidos aliados, como o PSB, PSD, PTN e PV.
 Para o ex-metalúrgico Juno Rodrigues Silva, conhecido como Gijo, a derrota nas eleições era até esperada, mas não da forma como foi. “Podia ter sido de outra forma, mas não como foi. Isso vai demorar um mês para absorver. O partido demorou muito para reagir. Agora vai precisar arrumar a casa. Temos dois anos para a próxima eleição, mas precisamos estar prontos em um ano”, disse Gijo.
Amigo do ex-presidente Lula, Gijo tem um restaurante no Bairro Assunção, em São Bernardo do Campo, e é dono da receita de um famoso bife de chuleta, com 850 gramas, que já precisou levar para Brasília no tempo em que Lula governou o país. Apesar de ser amigo de Lula, ele é bastante crítico ao posicionamento dos companheiros de PT.
“Nessas eleições, onde o petista apoiou a derrota foi maior. Aqui em São Bernardo do Campo não houve apoio do PT. Alguns ofereceram apoio, mas eu não confio mais e liderança. Que liderança? Confio no Luiz Marinho, confio do Lula, mas em liderança não dá mais. Que partido é esse que você convida um dirigente, uma liderança para uma reunião e ele não vem? O que acabou conosco foi nós mesmos”, disse Gijo.
Sede do Partido dos Trabalhadores vazio na tarde desta segunda-feira (31), em Santo André (Foto: Glauco Araújo/G1)Sede do Partido dos Trabalhadores vazia na tarde desta segunda-feira (31), em Santo André (Foto: Glauco Araújo/G1)
Ausência de Lula
Gijo disse que o partido precisa se reformular em âmbito nacional. “Precisamos de deputados e senadores que vistam a camisa do partido. Se a direção do partido, logo que saiu a Lava Jato já deviam estar pensando no assunto. Precisamos de uma direção nova no partido nas próximas eleições internas. O caminhão entrou, arrebentou tudo dentro da casa, agora precisamos arrumar a casa.”

Para ele, a derrota do PT nas urnas revelou também um protesto do eleitorado. E pode vir daí a força que o partido precisa para se reerguer. “ Os votos nulos e brancos são a nossa esperança, nos deixam vivos ainda, nos dão mais resistência, nos mostra o caminho de onde podemos buscar. Esse protesto nas urnas fez a bandeira branca do PT.”
No primeiro turno, Lula chegou a dizer que o "PT iria surpreender", mas não foi o que aconteceu. As investigações da Operação Lava Jato contra integrantes do PT, o impeachment da presidente Dilma Rousseff e a acusações contra Lula afetaram diretamente as campanhas de candidatos do partido. Lula deixou de apoiar publicamente os candidatos e nem foi votar neste segundo turno. “ Petista que é petista não votou com ninguém. Até o Lula, pela primeira vez, não foi votar. Com isso ele deu um tapa na cara de todo mundo, até dos petistas”, disse Gijo.
Quem tinha candidato do PT como adversário procurou reforçar durante a campanha a ligação do rival com os problemas do partido. No debate promovido pelo G1 com os candidatos de Mauá, por exemplo, Átila Jacomussi (PSB), eleito neste domingo, chamou seu adversário de "Donisete Braga do PT".
Estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo, foi palco da greve de 1979 (Foto: Glauco Araújo/G1)Estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo, foi palco da greve de 1979 (Foto: Glauco Araújo/G1)
Volta às origens
Carlos Grana disse que a coisa ficou “meio cinzenta para o nosso lado. O Partido dos Trabalhadores não foi criado apenas para ganhar eleição,  foi criado para ajudar a sociedade brasileira. E a vida são se resume em eleições. Nossa vida é uma luta permanente. Acabamos de perder uma batalha, mas vamos continuar em frente.  A onda que veio não é uma questão local, nosso governo foi aprovado,  nosso governo conseguiu implementar uma série de políticas públicas. Não fomos nós que perdemos.”

O atual prefeito de Santo André  disse que “a população nos colocou na posição de oposição. Nós precisamos reconstruir a nossa relação com a sociedade.  Precisamos recuperar a credibilidade e eu não vejo de outra forma que não veja recuperar os princípios que nortearam  a criação do PT, em 1980, retomarmos a relação com os trabalhadores. Não tem Fora PT aqui não. O PT está firme e vai continuar a luta da militância.”
Em Mauá, Donisete Braga (PT), disse que "o recado das urnas nos deixa uma questão de fazer uma melhor análise para avançar cada vez mais. Há uma tristeza no meu coração e na minha alma porque eu gostaria muito de continuar governando a cidade." 
Mesmo com o resultado negativo nas eleições, o atual prefeito espera que os "310 mil eleitores fiscalizem a gestão de Átila Jacomussi. Vivemos uma democracia plena, onde nós pensamos diferente, mas certamente o povo de Mauá vai convergir para o bem de todos", disse Braga.
Carlos Grana, atual prefeito de Santo André, foi derrotado por Paulo Serra, do PSDB, que irá governar a cidade pela primeira vez (Foto: Glauco Araújo/G1)Carlos Grana, atual prefeito de Santo André, foi derrotado por Paulo Serra, do PSDB, que irá governar a cidade pela primeira vez (Foto: Glauco Araújo/G1)

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