quinta-feira, 27 de abril de 2017

Audiência pública revela crise no transporte coletivo de Mossoró

Audiência pública na Câmara Municipal de Mossoró, nesta quinta-feira, advertiu para dificuldades no transporte coletivo na cidade. O debate reuniu autoridades e especialistas e lançou o alerta: a circulação de ônibus está em risco, devido à dificuldade financeira da nova fase do serviço, em funcionamento há um ano.

O diretor da Cidade do Sol, Waldemar Araújo, destacou avanços no último ano, como pontualidade, bilhetagem eletrônica, biometria facial e integração. Porém, alertou para atuação de transporte ilegal (taxis e motos clandestinos, taxis intermunicipais), o que provoca desequilíbrio financeiro.


Prejuízo
“Para cobrir os custos, a tarifa, que hoje é R$ 2,95, deveria ser R$ 4,65. Mas, não queremos aumento de tarifa. Precisamos de mais passageiros pagantes para garantir gratuidade, que hoje é quase 40% dos usuários. Porque o ilegal só transporta pagante, e não idoso, estudante e deficiente, como nós”, observa.
Para amenizar o problema, Araújo pede à Prefeitura ação enérgica contra transporte ilegal. “Nenhuma empresa conseguirá operar em Mossoró, se continuar a atual situação. Muitas que passaram por aqui faliram e, se permanecer assim, não teremos como continuar trabalhando, e isso não queremos”, avisa.
Apoio
O pleito encontrou eco em outros participantes, como o presidente da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do RN (Fetronor), Eudo Laranjeiras, que operou o transporte público em Mossoró por 19 anos. Lembrou que a cidade já teve 60 ônibus em circulação e deixou reflexões.
“Oito ou nove empresas já foram embora de Mossoró. Os empresários são incompetentes ou há algo errado no transporte público da cidade? É justo a Prefeitura não estar pagando o subsídio do estudante? É bom para o idoso, para o estudante, para o deficiente a Cidade do Sol ir embora?”, indagou.
Secretário assume compromisso 

     com subsídio para estudante
Na audiência pública, o secretário municipal de Segurança Pública, Defesa Civil, Mobilidade Urbana e Trânsito, general Eliéser Girão, assegurou existência de fiscalização contra transporte ilegal em Mossoró, e que o pagamento do subsídio da gratuidade parcial do estudante será feito a partir de maio.
O professor Eric Amaral Ferreira, de Logística e Transporte da Ufersa, reforçou que investimento em transporte público é a única saída para Mossoró vencer problemas de mobilidade. “Não é duplicando via, nem construindo viaduto”, frisou o docente, que cobrou atuação nesse sentido da Câmara e da Prefeitura.
Prioridade
Na mesma linha, seguiu o presidente da Associação Nacional de Transporte Urbano (NTU), Eurico Divon Galhardi, para quem é preciso vontade política para priorização do transporte urbano, e que Mossoró precisa do básico. “O ótimo é inimigo do bom. Não queremos o ótimo, queremos o razoável”, ponderou.
Entre os vereadores, Rondinelli Carlos (PMN) reforçou necessidade de fiscalização. “Vamos colocar os agentes de trânsito para cumprir seu papel, no Centro e nos bairros, contra taxista e mototaxista clandestino, para proteger o ônibus, o taxi e o mototaxi legais, que podem conviver em harmonia”, reivindica.

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