terça-feira, 18 de abril de 2017

Serra é suspeito de receber R$ 23 milhões durante campanha eleitoral de 2010

Senador José Serra (PSDB-SP) (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

senador José Serra (PSDB) recebeu R$ 23 milhões via caixa 2 durante a campanha presidencial de 2010, segundo delatores da Lava Jato.

De acordo com o executivo da Odebrecht Pedro Novis o pagamento teria sido feito durante as obras do Rodoanel. O ex-senador Sérgio Guerra (PSDB) teria pedido R$ 30 milhões à empreiteira para a campanha de Serra.



O G1 não havia recebido um posicionamento da assessoria de Serra até a publicação desta reportagem.

Segundo Novis, a empresa tinha um contrato com a Dersa que não foi pago desde 2002 e na ocasião, os valores atrasados giravam em torno de R$ 170 milhões.

“Aí eu vi uma oportunidade de tentar regularizar isso e veio então o retorno de que os créditos, os atrasados, seriam pagos desde que a gente se comprometesse a repassar para as campanhas do PSDB o montante de 15% dos créditos. Os créditos foram pagos parceladamente, inclusive num período mais longo do que o pagamento que nós fizemos do acordo para as campanhas. Mas foram cumpridos”, afirmou ele.

Pedro Novis diz ter sido informado por José Serra que seria procurado por Sérgio Guerra, ex-presidente nacional do PSDB. “23 milhões de reais que foram doados e foram doados de duas formas: a operação foi cuidada e tratada pelo diretor da CNO em SP, Paschoal, e fui procurado, por indicação do Sergio e do ministro Serra, por Ronaldo Cezar Coelho e Marcio Fortes, ambos com a incumbência de receber esses recursos”, contou.

Uma parte do valor foi pago em euros em uma conta no exterior, outra parte em reais no Brasil. Também foram doados R$ 2,4 milhões legalmente através de doação de campanha.

Serra também avisou que Ronaldo Cezar Coelho e Marcio Fortes iriam acertar a forma do pagamento. Na época, ambos ligados ao PSDB, ao Sérgio Guerra. Ronaldo era tesoureiro, Marcio Fortes era tesoureiro do Serra e era diretor de uma estatal paulista. O Ronaldo tem uma ligação mais antiga, foi candidato a senador, com representatividade forte no Rio de Janeiro. O Marcio Fortes foi um empresário da construção civil do Rio, mas que em um determinado momento abandonou a construção e seguiu na carreira política. Tinha uma relação também com Serra”, disse.

Inquérito

O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um inquérito sobre o senador José Serra (PSDB-SP). Ele é suspeito de receber doações ilegais para suas campanhas da construtora Odebrecht em troca de facilitar contratos da empresa no estado de São Paulo. As investigações foram pedidas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) com base nas delações premiadas de executivos e ex-executivos da Odebrecht.

Serra está no mesmo inquérito que também pede a investigação do ministro de Relações Exteriores Aloysio Nunes (PSDB) por supostas irregularidades no processo de licitação das obras do Rodoanel Sul que favoreceram a construtora Odebrecht, líder do consórcio vencedor do contrato.

De acordo com informações do documento, um grupo de construtoras combinava sua atuação na licitação para a construção do Rodoanel Sul para evitar a concorrência no processo. O grupo era formado por Andrade Gutierrez, Galvão Engenharia, Camargo Correa, Serveng Civilsan, OAS, Mendes Junior, Queiroz Galvão, CR Almeida, Constran e Odebrecht

Esse grupo se reunia com a Dersa, concessionária de serviço público vinculada ao governo de São Paulo e que fez a contratação da obra, para solicitar ajustes no edital da licitação.

De acordo com os delatores, representantes da Dersa exigiram repasses ilegais do consórcio vencedor. Eles ainda relatam a realização de doações para o PSDB e para campanhas de José Serra para diferentes cargos.

O primeiro pagamento foi feito logo após a empresa vencer a licitação para as obras do Rodoanel Sul. Na época, o então diretor de engenharia da Dersa, Mário Rodrigues Júnior, solicitou R$ 1,2 milhão à Odebrecht para doações de campanhas.

A Odebrecht também pagou R$ 2,2 milhões em favor da offshore Circle Technical Company Inc, que pertenceria a Amaro Ramos. Segundo o documento, ele é conhecido operador do Partido Social Democrático Brasileiro (PSDB). O pagamento foi uma exigência do então dirigente da Dersa, Paulo Vieira Sousa, conhecido como “Paulo Preto” e apontado no inquérito como "pessoa próxima ao então governador José Serra". Ele prometia evitar mudanças nos contratos das empresas com o governo do estado de São Paulo, viabilizado por decreto publicado por Serra em 2007.

Durante a gestão de Serra, a Odebrecht venceu diversos contratos para obras públicas no estado de São Paulo. Em 2008, Serra teria solicitado "diretamente" um pagamento de R$ 3 milhões da Odebrecht como contribuição à prefeitura de São Paulo.

Segundo o documento, o então presidente do conselho da Braskem, petroquímica do grupo, Pedro Novis, disse que fez contribuições para as campanhas de José Serra para manter um bom relacionamento com ele e buscar auxílio futuro em contratos no estado de São Paulo.

Novis afirma que pagou R$ 2 milhões para a campanha de Serra em 2004, para prefeitura de São Paulo, e de R$ 4 milhões para sua candidatura ao governo de São Paulo em 2006. Os pagamentos foram feitos por meio de contas no exterior indicadas por Amaro Ramos.

Novis também relatou que negociou uma doação de R$ 3 milhões em 2009 com o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, a fim de "custear campanhas majoritárias, inclusive do senador José Serra à Presidência da República". Na ocasião, Novis teria condicionado a doação ao pagamento de repasses atrasados referente a obras do grupo Odebrecht no estado.

"Sérgio Guerra, em contraproposta, teria afirmado que os atrasados seriam adimplidos, desde que 15% desses valores fossem transferidos ao próprio PSDB, avença que teria sido confirmada pelo então governador José Serra", afirma o documento.

*G1



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