segunda-feira, 22 de maio de 2017

Operação citada por Temer como justificativa para reunião com Joesley ocorreu 10 dias depois

O presidente Michel Temer afirmou que aceitou receber Joesley Batista, dono da JBS, em 7 de março, porque achou que ele falaria sobre a Operação Carne Fraca, que investigava irregularidades em frigoríficos. No entanto, a operação só foi deflagrada dez dias depois, em 17 de março. A justificativa de Temer foi dada em entrevista ao jornal "Folha de S.Paulo", publicada nesta segunda-feira (22). A incoerência foi apontada nesta manhã pelo jornal "O Globo".

Em 7 de março, Temer recebeu Joesley na calada da noite no Palácio do Jaburu, sua residência oficial. A conversa foi gravada pelo empresário e entregue recentemente à Procuradoria Geral da República. Segundo o procurador-geral Rodrigo Janot, o áudio indica a "anuência" de Temer ao pagamento de propina mensal, por Joesley, para comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso em Curitiba pela Operação Lava Jato.
Na entrevista à "Folha de S.Paulo", Temer disse: "Mas veja bem. Ele é um grande empresário. Quando tentou muitas vezes falar comigo, achei que fosse por questão da Carne Fraca. Eu disse: 'Venha quando for possível, eu atendo todo mundo'".
Ainda ao jornal, Temer afirmou que "num primeiro momento" não sabia que Joesley Batista era investigado, embora a JBS tenha sido alvo de três operações recentes do Ministério Público Federal e da Polícia Federal – a Cui Bono?, a Sespis e a Greenfield.
Para o presidente, a gravação de Joesley foi uma tentativa de induzir uma conversa. “Tenho demonstrado com relativo sucesso que o que o empresário fez foi induzir uma conversa. Insistem sempre no ponto que avalizei um pagamento para o ex-deputado Eduardo Cunha, quando não querem tomar como resposta o que dei a uma frase dele em que ele dizia: ‘Olhe, tenho mantido boa relação com o Cunha’. [Eu disse] ‘mantenha isso’”, disse referindo-se a parte da ‘boa relação’.
Alvo de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de suspeita de corrupção passiva, obstrução à Justiça e organização criminosa, Temer enfrenta a maior crise política de seu mandato.
Neste fim de semana, a Ordem dos Advogados do Brasil decidiu apresentar pedido de impeachment ao Congresso, onde a oposição já lidera um movimento pela saída do presidente. Além disso, informou o colunista do G1 Gerson Camarotti, os articuladores políticos do governo foram avisados que parte da base aliada quer a renúncia do pemedebista.

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