sábado, 5 de agosto de 2017

Com 5 mil homens, Operação Onerat tem 24 presos e 3 mortos em confronto no Rio

De 40 mandados de prisão, 18 foram cumpridos. Três suspeitos morreram em tiroteio e um PM morreu em acidente com viatura. Ação contra roubo de cargas uniu forças federais e estaduais.
Por Alba Valéria Mendonça, Cristina Boeckel, Lívia Torres e Marco Antônio Martins, G1 Rio

Operação no Rio combate o roubo de cargas e o tráfico de drogas



Forças de segurança estadual e federal realizaram desde às 4h30 deste sábado (5), a Operação Onerat, contra o roubo de cargas e o crime organizado no Rio. Com um efetivo de pouco mais de 5 mil homens, a ação prendeu 24 pessoas, sendo que nove já estavam presos. Três homens morreram em confrontos com PMs e três pistolas foram apreendidas. Policiais e militares não apreenderam fuzis ou munições na intervenção no Complexo do Lins de Vasconcelos, na Zona Norte da cidade. (veja fotos da operação).
Dos 40 mandados de prisão da Onerat – carga, em latim – 18 foram cumpridos, sendo que nove alvos já estavam detidos. Os agentes também apreenderam dois adolescentes.
A ação que ocupou o Complexo do Lins contou com cerca de 5 mil homens – quase o dobro da ocupação do Complexo do Alemão, em 2010 (veja quadros abaixos).
A operação teve início às 3h30 da madrugada quando militares da Brigada Paraquedista, do Exército, e fuzileiros navais, da Marinha entraram na mata para evitar fugas de traficantes. Por volta das 4h30, homens da Coordenadoria de Operações Especiais (Core), da Polícia Civil, e dos Batalhões de Choque e com Cães (BAC) iniciaram a entrada na comunidade. Os policiais eram orientados por um inquérito da 26ª DP (Todos os Santos) sobre roubo de cargas.
A ideia do comando da operação, reunido no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) no Centro do Rio, era surpreender os traficantes do Lins no fim do baile funk da sexta-feira. Ao chegar à comunidade, os policiais encontraram poucos 'soldados' na guarda do baile. Houve alguns disparos em direção à mata mas diferente da prática adotada, os criminosos preferiram se esconder na favela à buscar abrigo na floresta já ocupada pelos militares.
O comando da operação esperava iniciar o cumprimento dos 40 mandados de prisão às 6h, mas a Polícia Civil iniciou as ações a partir das 6h30, um 'delay' que foi comentado nas reuniões após a operação. Com base em registros de ocorrência e dados passados por informantes, os policiais foram a escolas e creches municipais à procura de cargas roubadas, mas não encontraram nada.

Os militares também usaram detectores de metais na mata buscando armas e munições. Também nada foi encontrado. A operação em um dia pouco usual _ sábado _ e em um diferente horário tentou evitar vazamento da ação.
Questionado sobre um possível vazamento da operação, já que menos da metade dos mandados de prisão haviam sido cumpridos até o início da coletiva, Sá disse que não há indícios de que as informações tenham chegado aos criminosos.
"Nossos objetivos de mandados de prisão e busca estão sendo cumpridos respeitando e sem colocar em risco a segurança dos moradores. Basta ver que só dois morreram em confronto, um com a Polícia Civil e outro com a Polícia Militar. Nenhum civil foi ferido. Temos que aprender de atuar assim", disse Sá. O terceiro morto em confronto foi confimada pela Secretaria de Segurança no fim da tarde.
Por volta das 13h50, dois policiais e dois suspeitos presos se feriram em acidente com a viatura do Batalhão de Ação com Cães e foram levados para o Hospital Salgado Filho. O sargento Anderson Dias Pereira morreu. O cabo André Luis Gomes Silva e os dois presos foram internados.
Acidente com carro do Batalhão de Ação com Cães, da PM, deixou quatro feridos (Foto: Reprodução) Acidente com carro do Batalhão de Ação com Cães, da PM, deixou quatro feridos (Foto: Reprodução)
Acidente com carro do Batalhão de Ação com Cães, da PM, deixou quatro feridos (Foto: Reprodução)
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Foram apreendidas três pistolas, duas granadas, quatro rádios, 16 carros e uma motocicleta e entorpecentes.
“Mesmo com toda a dificuldade que o estado está enfrentando, as polícias dedicaram todos os seus esforços e encontraram diversos responsáveis pelo crime de roubo de cargas”, destacou o secretário de Segurança do Rio, Roberto Sá.
Sá também comentou a ausência de fuzis entre as apreensões: "Fuzis existem. Mas hoje o criminoso age de forma diferente. Não existem mais paióis. Eles guardam suas armas consigo".
O ministro da Justiça, Torquato Jardim, considera que a operação provoca um "sufoco logístico e financeiro" ao crime organizado.
"Os resultados são maiores do que números. É a ideia de que há ação presente do estado", disse o ministro. " A operação em conjunto já produz resultados, como acabar com o mito do crie organizado e poderoso."




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