sábado, 26 de agosto de 2017

Harvey toca o solo no Texas; furacão é o mais poderoso a atingir EUA em anos

O furacão foi o 1º de categoria 4 a atingir o Texas desde o Carla, em 1961, mas perdeu força horas depois e foi rebaixado para a categoria 2. 'Inundações catastróficas' são esperadas pelo NHC.


O furacão Harvey chegou ao continente americano e tocou o solo por volta das 22h desta sexta-feira (0h deste sábado em Brasília) em Rockport, cidade de 8 mil habitantes no Texas com ventos de 209 km/h (um furacão de categoria 4 na escala Saffir-Simpson, que vai de 1 a 5).

A aterrissagem ocorreu a cerca de 50 km a nordeste de Corpus Christi, cidade onde era esperado que o furacão tocasse o solo, transformando o Harvey no primeiro grande furacão a atingir território americano desde o Wilma (na Flórida, em 2005) e o primeiro de categoria 4 a atingir o Texas desde o Carla (em 1961), segundo o Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA.

O NHC (Centro Nacional de Furações dos EUA, na sigla em inglês) afirma que "inundações catastróficas" são esperadas devido à chuva pesada e ao surgimento da tempestade. Meteorologistas preveem que o Harvey ficará estacionário, durante vários dias, causando grandes enchentes.

O furacão deve ter efeitos econômicos também. Ao menos 200 mil pessoas já estão sem energia elétrica no Texas (veja mais abaixo), e a região afetada pelo furacão concentra 30% das reservas de petróleo e 35% das de gás dos EUA. As refinarias da área produzem um quarto da gasolina consumida pelos americanos e mais da metade do combustível para a aviação. Se as refinarias e tanques de óleo de Houston forem destruídos, poderá ocorrer uma catástrofe ambiental sem precedentes.

O Harvey tocou o solo americano pela primeira vez como um furacão de categoria 4 (entre 209 km/h e 250 km/h). Por volta da 1h (3h em Brasília), tocou o solo pela segunda vez, na costa nordeste da baía de Copano, mas a sua velocidade caiu para 201 km/h e ele foi rebaixado para a categoria 3 (entre 177 km/h e 207 km/h). Ele continuou desacelerando, caiu para a categoria 2 por volta das 3h e, às 6h, seus ventos máximos eram de 161 km/h.

Antes mesmo de o furacão atingir a costa americana, o presidente Donald Trump anunciou no Twitter ter assinado uma proclamação de desastre para o Texas, que garante assistência do governo federal ao estado, atendendo a um pedido do governador do estado, o republicano Greg Abbott.

*G1



A medida permitirá acelerar a ajuda federal para as zonas mais afetadas. Na sexta, Abbott afirmou que o furacão Harvey será "um desastre muito grande". “Minha mensagem urgente para meus colegas texanos é que, se você vive em uma região onde a retirada foi ordenada, você precisa prestar atenção neste conselho e sair do caminho do perigo enquanto for possível”, disse o governador do Texas em discurso televisionado.


Mais de 200 mil consumidores estão sem energia elétrica no Texas, segundo a Ercot Electric System, empresa que distribui energia para 24 milhões de consumidores no estado (90% da carga elétrica do Texas). A empresa recomenda que as pessoas fiquem longe de linhas de transmissão que caírem e pede para ser notificada caso isso ocorra.

Cerca de 162 mil consumidores estão sem energia elétrica na região de Corpus Christi, segundo a AEP Texas: 89,4 mil em Corpus Christi, 45 mil em Port Aransas, 11 mil em Port Lavaca e 6,9 mil em Victoria.

O gerente da cidade de Rockport, na qual o furacão Harvey tocou o solo, afirmou a rede de televisão CBS News que pessoas estão presas dentro de um complexo de habitação em que o telhado caiu e equipes de resgate não conseguem entrar no local.

Em uma entrevista à rede de televisão CNN, o diretor da Agência Federal de Gestão de Emergências dos EUA, Brock Long, afirmou que o Texas estava "a ponto de sofrer um importante desastre" e pediu aos moradores das áreas de risco que levassem a sério as ordens de evacuação ou de permanecerem fechados em suas casas, estocando alimentos e água potável para pelo menos 48 horas.

“Podemos estar olhando para grandes e sem precedentes recordes de enchentes”, afirmou o meteorologista John Tharp, da Weather Decision Technologies, à agência de notícias Reuters. O nível do mar pode subir até 3,7 metros e alertas de enchentes estão em vigor até em Louisiana e no norte do México, disse Tharp.

Corrida às lojas
Postos de gasolina e mercearias na costa do Texas ficaram lotados, conforme residentes abasteciam seus carros e estoques de comida para qualquer escassez após a tempestade. A banda de rock britânica Coldplay cancelou uma apresentação em Houston na sexta, dizendo aos fãs que não queria arriscar a segurança de ninguém.

Em um posto de gasolina na cidade de Willis, a cerca de 77 quilômetros de Houston, Corey Martinez, de 40 anos, disse estar seguindo de sua casa em Corpus Christi para Dallas. “Tem sido muito estressante. Nós só estamos tentando chegar à frente da tempestade”, disse. “Nunca passamos por um furacão antes”.

A brasileira Camila Machado, que mora em Houston, contou à GloboNews como está se preparando para o furacão. Ela disse que há dois dias já está difícil encontrar água para comprar. "A maior preocupação mesmo é com enchente. A previsão é que na área de Houston tenha perdido força e aqui a gente lide mais com chuva que com o vento em si".

Camila se preocupa ainda com a falta de energia elétrica. Segundo ela, em furacões que atingiram as proximidades da região no passado algumas casas ficaram até três semanas sem luz.
Brasileira conta como se preparou para a chegada de furacão ao Texas

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