quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Temer se diz confiante de que Câmara rejeitará denúncia da PGR

Presidente conversou com jornalistas após participar de evento no Palácio do Planalto nesta terça (1º). Sessão da Câmara destinada à votação da denúncia está marcada para esta quarta (2).

O presidente Michel Temer, durante evento no Palácio do Planalto nesta terça (1º) (Foto: Alan Santos/PR)

O presidente Michel Temer, durante evento no Palácio do Planalto nesta terça (1º) (Foto: Alan Santos/PR)

O presidente Michel Temer se disse nesta terça-feira (1º) confiante de que a Câmara dos Deputados rejeitará a denúncia oferecida contra ele pela Procuradoria Geral da República. Temer participou de evento no Palácio do Planalto e concedeu rápida entrevista à imprensa após a cerimônia.


Antes de iniciar o discurso, Temer citou 25 deputados presentes ao ato, de abertura de cursos de medicina, entre os quais Paulo Maluf (PP-SP) e o petista Zeca Dirceu (PT-PR), filho do ex-ministro José Dirceu.

Com base nas delações de executivos do grupo J&F, que controla a JBS, Temer foi denunciado ao Supremo Tribunal Federal pelo crime de corrupção passiva.

O STF só poderá analisar a denúncia, porém, se a Câmara autorizar. A votação está marcada para esta quarta (2).

Sobre a sessão desta quarta, Temer afirmou: "Quem tem que votar são os que querem destruir aquilo que a CCJ decidiu. A CCJ já decidiu que não há autorização. Agora, é o plenário."

Antes de ser analisada pelo plenário, a denúncia contra o presidente foi discutida pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.

Na CCJ, o relatório do deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ), que recomendava o prosseguimento da denúncia, foi rejeitado. A comissão aprovou, no lugar, um outro parecer, de Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), que recomenda a rejeição da denúncia. É este parecer, lido nesta terça em plenário, que será votado nesta quarta.

Estratégias do governo

Com o objetivo de barrar a denúncia nesta quarta, Temer mandou os ministros licenciados do mandato de deputado federal retornarem à Câmara.

Dos 28 ministros, 12 são deputados e 11 retomarão o mandato. A única exceção será o titular da Defesa, Raul Jungmann, suplente na Câmara e envolvido com as operações de segurança no Rio de Janeiro.

Leia também: Conheça a 'tropa de choque' de Temer que tenta barrar a denúncia da PGR na Câmara

Além disso, em meio à articulação em busca de votos, a agenda de Temer para esta terça prevê audiências com 18 deputados.

As negociações têm girado em torno da oferta de cargos a aliados e liberação de emendas parlamentares. A estratégia foi usada quando a CCJ da Câmara analisou a denúncia.

O corpo-a-corpo do presidente também o levou, nesta quarta, a um almoço promovido pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), em Brasília. De acordo com a assessoria da frente, 52 deputados participaram do encontro.

Ministro do DEM

Presente ao mesmo evento que Temer, o ministro da Educação, Mendonça Filho, deputado licenciado do mandato, afirmou que "não tem nada de desespero" na estratégia do governo para barrar a denúncia.

Sobre o comportamento da bancada do partido dele, respondeu: "Não posso antecipar voto de quem quer que seja, cada parlamentar vai votar com a sua consciência. A posição majoritária do Democratas é no sentido de rejeitar a denúncia."

Oposição

Para prolongar o desgaste de Temer, e adiar a votação da denúncia, parlamentares da oposição se reuniram em Brasília nesta terça para definir as estratégias para a sessão.

Após a reunião, os líderes da oposição afirmaram que uma das estratégias será tentar empurrar a votação da denúncia contra o presidente para o período da noite.

Caso o rito seja mantido pela Câmara, os parlamentares da oposição só vão registrar presença massiva na sessão após os aliados de Temer conseguirem o quórum de 257 deputados em plenário.

Esse é o número mínimo necessário para análise de um pedido de encerramento de discussão, que abreviaria a sessão. Sem esse número, a base aliada não consegue encerrar as discussões e nem abrir a votação, que depende de um quórum de 342.


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