terça-feira, 12 de setembro de 2017

Joesley diz que mantinha contrato fictício para manter boa relação com Cardozo

empresário Joesley Batista, um dos donos da J&F, afirmou em depoimento ao Ministério Público Federal que mantinha um contrato fictício de prestação de serviços para manter boa relação com o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo.

O pagamento, segundo Joesley, se dava por meio do escritório de advocacia de Marco Aurélio Carvalho, "que emitia mensalmente notas de R$ 70 mil ou R$ 80 mil para contratos fictícios". Sem dar detalhes, o empresário afirmou que parte desse dinheiro iria para Cardozo. Tanto o ex-ministro quanto Carvalho negam.

O empresário menciona ainda um jantar na sua casa com Cardozo e Carvalho --Joesley disse ter gravado o encontro. Ele afirmou que a conversa com Cardozo "envolveu a Lava Jato", mas não tinha nada de errado, segundo ele, que queria saber como estava andando a operação a fim de saber se tinha solução para ele fora da colaboração.


"É com surpresa e indignação, ainda, que tomo conhecimento, pela imprensa, de que o Sr. Joesley afirmou que teria celebrado um contrato ‘fictício’ com o advogado Marco Aurélio Carvalho, do qual nunca fui sócio até o presente ano, e que este advogado teria ainda dito que uma parte do dinheiro me seria enviada", disse Cardozo, em nota.

Carvalho afirma não ter havido "atribuição de qualquer conduta ilícita ou até mesmo inadequada". Creio que trata-se de engano que será facilmente esclarecido. Houve e há farta prestação de serviços na área tributária e consultiva em relação ao contrato que celebrei com a empresa através de minha antiga pessoa jurídica, da qual nenhum de meus sócios atuais faz parte", disse Marco Aurélio Carvalho. Toda a prestação contou com emissão de notas fiscais e recolhimento de tributos.

Acrescentou, ainda: "Nunca, em nenhum momento, houve associação, na contratação da minha antiga sociedade, com o ex-ministro José Eduardo. Nem da minha parte e nem da deles. A afirmação leviana e mentirosa deve ter consequências".

Joesley está preso em Brasília. Ele prestou depoimento na última quinta (7) à Procuradoria. O acordo de delação dele e de outros executivos da J&F, entre os quais Ricardo Saud, está em processo de revisão, o que pode levar à rescisão. Como o MPF decidiu apurar se eles omitiram informações, os benefícios foram temporariamente suspensos.

*G1


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