terça-feira, 5 de setembro de 2017

Marcelo Odebrecht diz acreditar que Lula sabia de propinas

O ex-presidente do Grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht, abriu nesta segunda-feira (4) a rodada de depoimentos de réus em um processo que acusa o empresário de pagar propina ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele disse acreditar que Lula sabia sobre os repasses ilegais feitos a ele, embora tenha reconhecido que nunca tratou do assunto com o petista.

De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), a empreiteira comprou um terreno em São Paulo para construir uma nova sede para o Instituto Lula. Os procuradores também dizem que a empresa pagou os aluguéis de um apartamento vizinho ao que o ex-presidente mora, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. Apesar da a Odebrecht reconhecer que comprou o imóvel para o Instituto Lula, a obra nunca foi feita.


O interrogatório de Marcelo Odebrecht durou quase quatro horas. No depoimento, ele voltou a afirmar que o codinome "amigo", encontrado em planilhas do Setor de Operações Estruturadas da empresa, fazia referência a Lula. De acordo com ele, a planilha intitulada "Italiano", apreendida pela Polícia Federal, é referente a pagamentos não contabilizados da companhia ao ex-ministro Antônio Palocci e ao Partido dos Trabalhadores (PT).

Odebrecht disse ter afirmado ao pecuarista José Carlos Bumlai e ao presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, que debitaria o valor do terreno para a entidade da planilha Italiano. Ele disse que nunca tratou desse assunto com o ex-presidente Lula, mas acredita que o petista sabia da negociação.

"Aí outra razão pela qual eu sei que Lula sabe desse provisionamento. Eu conversei tanto com o Bumlai, quanto com o Okamotto e falei 'tudo bem, mas esse valor, seja lá qual for o forma, vai sair do valor provisionado que eu tenho do Palocci pra Lula'", disse. O empresário disse que conversou com Palocci a respeito do assunto e que, segundo o ex-ministro, a ideia tinha sido do advogado Roberto Teixeira, que defende Lula.

Marcelo Odebrecht também disse que fazia os pagamentos a Lula por considerá-lo uma pessoa influente, mesmo depois de deixar a presidência. "Eu sabia, junto com Palocci, meu pai, que ia ter demandas do presidente Lula, ele é uma pessoa que continuaria sendo influente. (...) A gente sabia que ele inclusive tinha influencia a uma pessoa que era uma incógnita pra gente, que era a Dilma. Então de certo modo o que a gente fez foi pegar esse saldo, que deixava de ser da presidência, e passar um saldo pra atender as demandas dele. Pq senão, na pratica o que aconteceria, se eu não tivesse reservado esse saldo passaria, entre aspas, a ser da Dilma e ele continuaria a ter as demandas e a gente pagaria duas vezes. ", afirmou.

*G1


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