sábado, 14 de outubro de 2017

Defesa de Temer diz que 'vazamento' de vídeos de Funaro busca 'constranger' deputados para votação da 2ª denúncia

Lúcio Funaro acusa Michel Temer de envolvimento em esquema de propina; para defesa do presidente, divulgação dos vídeos 'constitui mais um abjeto golpe ao Estado Democrático de Direito'.
A defesa do presidente Michel Temer divulgou uma nota neste sábado (14) afirmando que o vazamento dos vídeos com depoimentos do doleiro Lúcio Funaro à Procuradoria Geral da República “constitui mais um abjeto golpe ao Estado Democrático de Direito”.


Foram divulgados na sexta-feira (13) trechos das gravações dos depoimentos da delação premiada de Funaro. Em um deles, o operador financeiro faz acusações sobre a existência de um suposto esquema de propina envolvendo o presidente Michel Temer, aliados dele e o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Os vídeos foram divulgados no site do jornal "Folha de S.Paulo".
A nota, assinada por Eduardo Pizarro Carnelós, advogado de Temer, afirma que o vazamento “tem o claro propósito de causar estardalhaço com a divulgação pela mídia como forma de constranger parlamentares que, na CCJC [Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania] da Câmara dos Deputados, votarão no dia 18 o muito bem fundamentado parecer do relator, deputado Bonifácio de Andrada, cuja conclusão é pela rejeição ao pedido de autorização para dar sequência à denúncia apresentada contra o Presidente Michel Temer pelo ex-Procurador-Geral da República” (veja a nota na íntegra ao final da reportagem).
Os depoimentos de Funaro foram usados pela Procuradoria Geral da República na denúncia apresentada por obstrução de Justiça e organização criminosa apresentada contra Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral).
Segundo o Blog do Camarotti, a avaliação no governo é de que, apesar do conteúdo já ter sido usado para a elaboração da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer, a imagem de Funaro relatando o esquema da cúpula do PMDB da Câmara terá impacto na opinião pública e será explorado pela oposição na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Leia também: Vídeos podem dar 'novo combustível' contra Temer
Funaro, apontado como operador do PMDB, conta ainda nos vídeos os motivos de ter ido ao escritório do advogado José Yunes, amigo de longa data e ex-assessor do presidente Temer, para pegar R$ 1 milhão, que teriam de ser entregues ao ex-ministro Geddel Vieira Lima, em Salvador (BA).
"O que eu soube, pelos fatos que vivenciei, foi que em 2014, o Geddel me ligou e me informou que tinha um dinheiro que ele precisava retirar em São Paulo, oriundo da Odebrecht. E que precisava que esse dinheiro fosse levado pra Salvador. E me perguntou se eu podia fazer esse favor pra ele. E eu respondi que podia fazer esse favor pra ele, que não teria problema nenhum", disse o doleiro à PGR.
Em outro depoimento, também em vídeo, Funaro fala sobre a atuação do deputado cassado Eduardo Cunha, a quem era muito ligado. Funaro conta que o peemedebista era uma espécie de "banco" para os corruptos.
O doleiro, que está preso desde junho de 2016, fechou acordo de delação, que foi homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Ainda em sua delação, Funaro conta que o então vice-presidente Michel Temer estava "empenhado" para eleger Gabriel Chalita prefeito de São Paulo, em 2012. Nos relatos registrados em vídeos, o doleiro citou pagamento de propina, pedido de apoio feito por Temer e o empréstimo de seu helicóptero pessoal para campanha de Chalita.
Segundo Funaro conta nos vídeos, Temer estava "empenhado" na tentativa de eleger Chalita, à época no PMDB, prefeito de São Paulo. Funaro relatou que pediu ao empresário Joesley Batista, um dos donos da J&F, que controla o frigorífico JBS, a doação de R$ 3 milhões a campanha de Chalita. De acordo com o doleiro, o repasse foi descontado da “conta corrente” que ele mantinha junto a Joesley, relacionada a operação ilícitas.
O que disseram os citados
Em nota, Gabriel Chalita afirmou que os recursos da campanha de 2012 vieram do PMDB nacional e que o partido foi responsável pela arrecadação. Chalita ainda disse que deixou o PMDB há dois anos e que nunca teve relação com Lúcio Funaro.
O advogado de José Yunes disse em nota que "Lúcio Funaro já faltou com a verdade em inúmeras oportunidades".
"José Yunes, ao contrário de Funaro, goza de credibilidade. Tão logo esses fatos ficaram públicos procurou a PGR e prestou todos os esclarecimentos devidos. "Yunes teve seus argumentos acolhidos pelo Ministério Público tanto que jamais foi denunciado, mas sim arrolado como testemunha de acusação. É importante registrar que Funaro será processado por denunciação caluniosa pelo meu cliente", disse a defesa de Yunes.
A defesa de Eduardo Cunha disse que, em busca de benefícios, Funaro atribui a outros a participação e cumplicidade em seus atos ilícitos.
A defesa de Geddel Vieira Lima disse que não se manifesta sobre o que não teve acesso, "sobretudo de réus delatores que são inexplicavelmente soltos quando começam a mentir".
Leia a íntegra da nota divulgada pela defesa do presidente Michel Temer:
O vazamento de vídeos com depoimento prestado há quase dois meses pelo delator Lúcio Funaro constitui mais um abjeto golpe ao Estado Democrático de Direito. Tem o claro propósito de causar estardalhaço com a divulgação pela mídia como forma de constranger parlamentares que, na CCJC da Câmara dos Deputados, votarão no dia 18 o muito bem fundamentado parecer do relator, deputado Bonifácio de Andrada, cuja conclusão é pela rejeição ao pedido de autorização para dar sequência à denúncia apresentada contra o Presidente Michel Temer pelo ex-Procurador-Geral da República.
É evidente que o criminoso vazamento foi produzido por quem pretende insistir na criação de grave crise política no País, por meio da instauração de ação penal para a qual não há justa causa. Só isso explica essa divulgação, ao final de uma semana em que a denúncia formulada pelo ex-Chefe do MPF foi reduzida a pó pelo parecer do deputado Bonifácio de Andrada.
Autoridades que têm o dever de respeitar o ordenamento jurídico não deveriam permitir ou promover o vazamento de material protegido por sigilo. É igualmente inaceitável que a imprensa dê publicidade espetaculosa à palavra de notório criminoso, que venceu a indecente licitação realizada pelo ex-PGR para ser delator, apenas pela manifesta disposição de atacar o Presidente da República.
As afirmações do desqualificado delator não passam de acusações vazias, sem fundamento em nenhum elemento de prova ou indiciário, e baseadas no que ele diz ter ouvido do ex-deputado Eduardo Cunha, que já o desmentiu e o fez de forma inequívoca, assegurando nunca ter feito tais afirmações. Assim como o fizeram todos os demais mencionados pelo delator em sua mentirosa história, que lhe serviu para a obtenção de prêmio.

Eduardo Pizarro Carnelós



Nenhum comentário:

Postar um comentário