domingo, 22 de outubro de 2017

Mãe de estudante morto na escola diz que pais do colega que atirou são 'tão ou mais culpados do que ele'

Pais de João Vitor se emocionam ao falar da morte do filho em colégio de Goiânia (Foto: Paula Resende/G1)

João Vitor Gomes, de 13 anos, estudava com o autor dos disparos há pelo menos quatro anos em um colégio de Goiânia. Além dele, outro aluno morreu e mais quatro ficaram feridos durante ataque.
 Pais de João Vitor se emocionam ao falar da morte do filho em colégio de Goiânia (Foto: Paula Resende/G1) Pais de João Vitor se emocionam ao falar da morte do filho em colégio de Goiânia 


Pais de João Vitor se emocionam ao falar da morte do filho em colégio de Goiânia (Foto: Paula Resende/G1)

Os pais do estudante João Vitor Gomes, de 13 anos, que foi morto dentro da sala de aula, cobram a responsabilidade dos pais do atirador, um colega de 14 anos, pelo atentado, pois o adolescente tinha acesso a armas e sabia atirar. Além do primogênito do casal, os tiros causaram a morte de outro menino e deixaram quatro colegas feridos.
"Nada justifica, o menino era amigo de escola dele, se torna ainda mais difícil. Não é revolta, é indignação. Os pais são tão ou mais culpados do que ele. A situação foi propícia, tinha uma arma ao alcance dele, ele sabia manusear a arma, não matou meu filho sozinho", disse a mãe do menino, a gestora de eventos Katiuscia Gomes Fernandes, de 40 anos, em entrevista exclusiva ao G1 e à TV Anhanguera.
O G1 entrou em contato com a defesa da família do atirador após a declaração, mas não obteve retorno. Anteriormente, a advogada Rosângela Magalhães havia dito que o menino estava arrependido e abalado, assim como os pais dele, que são policiais militares.
Veja o que se sabe sobre o atentado em colégio de Goiânia
João Vitor Gomes foi morto por colega no Colégio Goyases (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
De acordo com os pais de João Vitor, o filho e o atirador estudavam há pelo menos quatro anos juntos. Porém, eram amigos na escola, pois não frequentavam a casa um do outro e os pais não se conhecem.

"O João me falava que eles jogavam RPG [jogo de interpretação de papéis] juntos no recreio. Eles também estavam fazendo um projeto da escola juntos. O João me falava que ele era engraçado", detalhou a mãe.
Mãe de João Vitor Gomes chora ao enterrar o corpo do filho, em Goiânia (Foto: Danila Bernardes/ TV Anhanguera) Mãe de João Vitor Gomes chora ao enterrar o corpo do filho, em Goiânia (Foto: Danila Bernardes/ TV Anhanguera)
Mãe de João Vitor Gomes chora ao enterrar o corpo do filho, em Goiânia (Foto: Danila Bernardes/ TV Anhanguera)
Filho dedicado
Os pais contam que João Vitor se dedicava muito a tudo que fazia. Neste ano, por exemplo, tinha tirado as melhores notas da turma em todos os simulados e se preparava para as Olimpíadas de Matemática.
“Era um filho obediente, muito estudioso, sério para aquilo que era para ser sério, como na escola e na catequese, mas muito brincalhão em casa, participativo, muito perfeccionista, humilde e sensível ", enumerou a mãe.
Pai de João Vitor, o analista de sistemas Fabiano Moreira Fernandes, de 43 anos, diz o filho era querido por todos os que o conheciam.
"Ele não tinha defeitos, era muito amigo", disse o pai, emocionado.
Além de João Vitor, o casal possui mais dois filhos, sendo um menino de 11 anos e uma menina de 8 meses de vida. "Só Deus é capaz de me dar forças para continuar vivendo. Tenho mais dois filhos e preciso de forças para cuidar deles", disse a mãe.
Pai de João Vitor diz que o filho era 'sem defeitos' (Foto: Paula Resende/ G1) Pai de João Vitor diz que o filho era 'sem defeitos' (Foto: Paula Resende/ G1)
Pai de João Vitor diz que o filho era 'sem defeitos' (Foto: Paula Resende/ G1)

Atentado
O crime aconteceu na manhã de sexta-feira (20) em uma sala de aula do 8º ano do Colégio Goyases, no Conjunto Riviera, em Goiânia. Os disparos aconteceram no disparo entre duas aulas.
Segundo o delegado Luiz Gonzaga Júnior, responsável pelo caso, o autor dos disparos disse que sofria bullying de um colega e, inspirado em massacres como o de Columbine, nos Estados Unidos, e de Realengo, no Rio de Janeiro, decidiu cometer o crime. Filho de policiais militares, ele pegou a pistola .40 da mãe e a levou para a unidade educacional dentro da mochila.
Além de João Vitor, os tiros causaram a morte de João Pedro Calembo, também de 13 anos, e deixaram outros quatros colegas baleados. Um deles, Hyago Marques, recebeu alta neste domingo e já se recupera em casa, mas outros três continuam internados.
João Vitor e João Pedro aparecem em centro de foto da turma (Foto: Arquivo Pessoal) João Vitor e João Pedro aparecem em centro de foto da turma (Foto: Arquivo Pessoal)
João Vitor e João Pedro aparecem em centro de foto da turma (Foto: Arquivo Pessoal)
Bullying
O coronel da Polícia Militar Anésio Barbosa da Cruz informou que o autor dos disparos era alvo de chacotas de colegas. “Ele estaria sofrendo bullying, se revoltou contra isso, pegou a arma em casa e efetuou os disparos”, disse.
Um aluno de 15 anos, que estava na sala no momento do tiroteio, também contou que o adolescente era vítima de piadas maldosas.

Entenda o que é possível fazer para combater a prática do bullying
Autor dos disparos e João Vitor eram colegas no Colégio Goyases há pelo menos quatro anos (Foto: Sílvio Túlio/ G1) Autor dos disparos e João Vitor eram colegas no Colégio Goyases há pelo menos quatro anos (Foto: Sílvio Túlio/ G1)
Autor dos disparos e João Vitor eram colegas no Colégio Goyases há pelo menos quatro anos (Foto: Sílvio Túlio/ G1)
Autor apreendido
O menor está apreendido apreendido na Delegacia de Polícia de Apuração de Atos Infracionais (Depai). A Justiça acatou pedido do MP e determinou a internação provisória dele por 45 dias. Advogada que representa o adolescente disse que ele está "abalado" e "arrependido".
Tenente-coronel Marcelo Granja, assessor de imprensa da Polícia Militar, revelou ao G1 a conversa que teve com o pai do autor dos disparos, que é major da corporação. Segundo ele, o policial - seu amigo há mais de 15 anos - ainda está profundamente abalado com o que aconteceu.
O assessor informou que tanto o major quando a esposa, que também é policial e dona da arma usada pelo adolescente, serão ouvidos pela Corregedoria da PM. A oitiva deve ocorrer na próxima semana, mas ainda não há data definida.
Adolescente suspeito de efetuar disparos está apreendido, em Goiânia (Foto: Reprodução/ TV Anhanguera) Adolescente suspeito de efetuar disparos está apreendido, em Goiânia (Foto: Reprodução/ TV Anhanguera)
Adolescente suspeito de efetuar disparos está apreendido, em Goiânia (Foto: Reprodução/ TV Anhanguera)

O que se sabe até agora:
Veja a sequência dos fatos:
Colegas relatam que ouviram um barulho
Em seguida, os alunos viram o adolescente tirando a arma da mochila e atirando
Alunos correram para fora da sala de aula
O aluno descarregou um cartucho, carregou o segundo e deu um tiro, mas foi convencido pela coordenadora a travar a arma
Estudante foi levado para a biblioteca até a chegada dos policiais
 (Foto: Editoria de Arte/G1)  (Foto: Editoria de Arte/G1)
(Foto: Editoria de Arte/G1)
TIROS EM ESCOLA DE GOIÂNIA
Adolescente abriu fogo contra colegas na sala de aula
Ataque deixou dois alunos mortos e quatro feridos
Vídeo: 'Que susto eu levei', diz colega baleado no tórax
Suspeito sofria bullying na escola, dizem testemunhas
Coordenadora evitou que houvesse mais mortos, segundo delegado
Veja o relato dos pais que socorreram os alunos
Adolescente foi apreendido pela polícia .



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