terça-feira, 14 de novembro de 2017

Processado por dizer que a Polícia Civil do RN não trabalha, capitão da PM faz acordo e volta a pedir desculpas

Styvenson Valentim ganhou notoriedade no estado como 'Carrasco da Lei Seca' (Foto: Fernanda Zauli/G1)

Styvenson ficou conhecido pela rigidez no cumprimento da Lei Seca. Ano passado, ele mandou áudio para vítima de acidente dizendo: 'policial civil ganha bem para não fazer nada'.
Styvenson Valentim ganhou notoriedade no estado como 'Carrasco da Lei Seca'.
“Venho, publicamente, sem constrangimento ou qualquer sentimento de vexame ou submissão pedir, mais uma vez, minhas sinceras desculpas por toda mágoa causada aos integrantes da Polícia Civil do Rio Grande do Norte, esperando, assim, com esse pedido de desculpas extirpar toda e qualquer animosidade, visando restabelecer a imagem e idoneidade da instituição e dos policiais que se sentiram ofendidos, colocando fim ao processo existente bem como retomando o trabalho em conjunto e harmonioso das partes em prol da sociedade potiguar”.


O pedido de desculpas acima é do capitão da Polícia Militar do RN, Styvenson Valentim, que durante quase dois anos viveu dias de celebridade ao comandar, com extrema rigidez, a fiscalização da Lei Seca no estado. Em maio do ano passado, quando ainda desempenhava a função de coordenador, enviou um áudio pelo Whatsapp para uma mulher vítima de um acidente. Na gravação, Styvenson disse: 'policial civil ganha bem para não fazer nada'.
As palavras do capitão causaram revolta na Polícia Civil. No dia seguinte, diante da repercussão, Styvenson chegou a se retratar. Em matéria publicada pelo G1 na época, ele admitiu ter agido intempestivamente ao generalizar sua insatisfação. Mas, o Sindicato dos Policiais Civis não se comoveu e abriu um processo contra o militar. Na ação, foi cobrado 20 salários mínimos, o correspondente a R$ 18.740, valor que seria repassado a instituições de caridade. Contudo, diante da juíza Érika de Paiva Duarte Tinôco, da 6ª Vara Cível da Comarca de Natal, o capitão fez um acordo com o Sinpol e prometeu, novamente, se desculpar publicamente.
Sem constrangimento
“É isso o que estou fazendo. Como eu disse, sem constrangimento ou qualquer sentimento de vexame ou submissão, estou novamente pedindo desculpas aos bons agentes, escrivães e delegados da Polícia Civil. Mas, é preciso esclarecer que o que eu disse foi em razão do fato de a mulher para a qual mandei o áudio, que havia sido vítima de um acidente, ter relatado que o infrator era um advogado, que estava embriagado, e que o delegado que atendeu a ocorrência sequer o autuou. Fiquei indignado e por isso gravei aquele áudio”, ressaltou Styvenson.

Com indignação
“Eu estou indignada com tudo o que aconteceu. Para o capitão Styvenson, que só tentou me ajudar, a Justiça foi bem eficiente. Mas, para o verdadeiro culpado disso tudo, que foi o advogado que causou o acidente, nada aconteceu”. As palavras são da supervisora logística Sahonara Suzane, de 27 anos. Foi para ela que o capitão Styvenson mandou o áudio. A gravação, depois foi disponibilizada no grupo que os envolvidos criaram no Whatsapp. E, de lá, acabou vazando para outros grupos e outras redes sociais.
O acidente a que se refere Sahonara aconteceu na noite de 27 de maio do ano passado. “Foi um engavetamento, que acabou causando danos no carro dele, do advogado, e em outros três veículos, incluindo o meu. Os outros dois carros tiveram perda total”, lembrou ela.
Ao G1, Sahonara reafirmou que o advogado foi o único que se recusou a fazer o teste de bafômetro. “Por este motivo, exigimos que ele fosse para a delegacia de plantão. Só que lá, o advogado entrou em uma sala e desapareceu. O delegado disse que não podia fazer nada. Enfim. Nada foi feito. Depois, eu denunciei o delegado ao Ministério Público, mas até agora nada aconteceu. Ou seja, nada foi feito e nada vai acontecer. E nós, incluindo o capitão Styvenson, foi quem acabamos amargando prejuízos”, concluiu.


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