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terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Uber só investirá no Brasil se regulação permitir


Motoristas ligados à Uber fizeram 500 milhões de viagens no Brasil nos últimos seis meses, a mesma quantidade acumulada nos três anos e meio anteriores.

A disseminação desse tipo de transporte também atingiu outros aplicativos —e levou a chinesa Didi Chuxing, que desbancou a Uber na China, a adquirir a brasileira 99 neste ano, num negócio de mais de US$ 1 bilhão.

A aposta da Uber no Brasil a partir de agora, no entanto, estará atrelada às normas fixadas para os serviços pela Câmara dos Deputados, diz Dara Khosrowshahi, 48, CEO (presidente-executivo) da Uber, em entrevista concedida por telefone à Folha.
Qualquer empresa assume riscos e há um “mercado promissor” no país, afirma ele, mas tudo está condicionado às restrições que podem voltar à pauta dos deputados nesta terça (27) —como as exigências de só atuar na cidade de registro do carro, de ter placa vermelha e de os motoristas serem os donos dos veículos.

“O nível do investimento, obviamente, depende dessa regulação”, diz, numa crítica à imposição de regras que possam burocratizar os serviços.

Engenheiro elétrico nascido no Irã e criado nos EUA, Khosrowshahi assumiu a Uber em agosto de 2017, após uma série de escândalos envolvendo a empresa —de acusações de tolerância com episódios de assédio sexual e moral a alegações de roubo de segredos comerciais da tecnologia de veículos autônomos.

Na semana passada, sob a justificativa de que não há regras claras e de que não colocaria seu negócio sob risco, a Uber decidiu encerrar as suas atividades no Marrocos.

Khosrowshahi diz que a situação no Brasil (2º maior mercado da empresa no mundo, atrás dos EUA) parece distante disso. “Seria um resultado trágico que eu não antevejo, mas às vezes essas coisas acontecem pelo mundo.”

Os projetos da Uber incluem outros modelos de transporte, como um sistema com bicicletas pensado para cidades como São Paulo, e a tecnologia dos “carros voadores” —com pousos verticais e que Khosrowshahi projeta no mercado em até dez anos.

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