segunda-feira, 23 de abril de 2018

Falta de verba e planejamento ameaça futuro da transposição do rio São Francisco, diz CGU


Inaugurada parcialmente há um ano, a transposição do rio São Francisco corre riscos por falta de planejamento para manutenção e operações, além de carecer de garantias de verbas para custeio. A constatação está em auditoria da CGU (Controladoria-Geral da União).

O relatório também apontou falhas que podem comprometer a sustentabilidade da obra, que já custou R$ 10,7 bilhões e ainda está em fase de execução no eixo norte. Para a CGU, o custo final estimado é de R$ 20 bilhões.

O eixo leste da transposição foi inaugurado pelo presidente Michel Temer (MDB), em março de 2017, enquanto o eixo norte está com mais de 90% das obras prontas e deve ser inaugurado “ainda neste ano”, segundo o governo.

O eixo leste teve direito a “inauguração popular”, realizada nove dias depois da oficial pelos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT, que reivindicaram a “paternidade” da obra.

O canal já inaugurado tem 217 km e corta cinco municípios pernambucanos até a divisa com a Paraíba. Segundo o Ministério da Integração Nacional, 1 milhão de pessoas já saíram do colapso do abastecimento.

Mas, segundo a análise da CGU, “verificou-se que não há um planejamento estruturado” para operação e manutenção da obra. “Não foi elaborado cronograma com tarefas/atividades, duração, vínculos de precedência e responsável”, aponta.

Ainda segundo o documento, o Ministério da Integração Nacional “não detém estrutura adequada para a gestão da transposição”. Além disso, não haveria “mecanismos de direcionamento estratégico e controle que proporcionem maior previsibilidade e assegurem a execução do programa”.

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