terça-feira, 7 de agosto de 2018

Editora Abril fecha títulos e faz demissões


O Grupo Abril, maior editora de revistas do país, comunicou nesta segunda-feira que está reformulando seu portfólio de marcas como parte do processo de reestruturação em curso na companhia. O objetivo, segundo a empresa, é "garantir sua saúde operacional em um ambiente de profundas transformações tecnológicas, cujo impacto vem sendo sentido por todo o setor de mídia".

Em nota oficial, a Abril informa que passará a se concentrar nos seguintes títulos: Veja, Veja São Paulo, Exame, Quatro Rodas, Claudia, Saúde, Superinteressante, Viagem e Turismo, Você S/A, Você RH, Guia do Estudante, Capricho, M de Mulher, VIP e Placar. A lista soma 15 publicações. No site da Abril, constam 24 títulos, entre revistas impressas e sites. As marcas remanescentes somam uma audiência de 15 milhões de usuários únicos por mês e 5,2 milhões de circulação nas versões impressas e digital por mês, de acordo com a companhia.


Também em nota, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo afirma que o Grupo Abril demitiu mais de 50 jornalistas e anunciou o fechamento de publicações. Entre os títulos encerrados estão Arquitetura e Construção, Boa Forma, Casa Claudia, Cosmopolitan Nova, Elle e Minha Casa. A Abril, por sua vez, não anunciou quais revistas foram fechadas

Na nota, o sindicato informa ter procurado representantes da Abril na quinta-feira, dia 2, e na ocasião, a empresa negou planos de dispensa, diz o sindicato. Segundo uma pessoa a par do assunto, porém, até 600 pessoas podem ser demitidas até a próxima quarta-feira, incluindo a área administrativa e as redações das publicações. A companhia não confirma informação.

Em julho, o Grupo Abril anunciou a chegada de um novo presidente executivo, Marcos Haaland, diretor da Alvarez & Marsal, consultoria especializada em projetos de reestruturação de empresas. Em nota divulgada à época, a Alvarez & Marsal informou ter assumido a gestão da Abril. Haaland substituiu Giancarlo Civita, neto do fundador Victor Civita e filho de Roberto Civita, que morreu em 2013.

O Grupo Abril enfrenta uma crise financeira. No exercício encerrado em 31 de dezembro do ano passado, a Abril Comunicações e suas empresas controladas registraram prejuízo de R$ 331,6 milhões. No ano anterior, as perdas haviam somado R$ 137,8 milhões. No mesmo intervalo, o patrimônio líquido negativo passou de R$ 412,2 milhões para R$ 715,9 milhões.

Em relatório de auditoria publicado em abril deste ano, a PwC não fez ressalvas ao balanço de 2017, mas incluiu um parágrafo -- que tecnicamente se chama de ênfase -- indicando que há "incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa sobre a continuidade operacional" da empresa. A principal dívida da companhia é uma debênture de cerca de R$ 950 milhões, que tem início de amortização previsto para 2021.

Valor Econômico



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