sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Bolsonaro está consciente e em boas condições clínicas


Momento da chegada de Jair Bolsonaro ao aeroporto de Congonhas.
Depois, foi levado ao Hospital Albert Einstein.  Foto: Felipe Rau/Estadão

Após ter sido transferido de hospital de Minas Gerais, boletim médico no Hospital Albert Einstein indicou quadro estável para o presidenciável

JUIZ DE FORA (MG) - O candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, foi transferido nesta sexta-feira, 7, para o Hospital Albert Einstein, em São Paulo, após ter sido alvo de um ataque a faca em ato de campanha na quinta-feira à tarde em Juiz de Fora (MG). Às 14h20, o hospital informou que o candidato está "consciente e em boas condições clínicas". O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, disse que três pessoas estão sendo investigadas por suposta participação no atentado.

O boletim divulgado no início da tarde indica que Bolsonaro está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ele realizou exames laboratoriais e de imagens e foi avaliado por equipe multiprofissional. O tratamento iniciado em Minas continua. Líder nas pesquisas de intenção de votos, o candidato era carregado na região central da cidade quando foi golpeado na altura do abdome por seu agressor, identificado como Adelio Bispo de Oliveira, de 40 anos, que foi preso. 

Gastrocirurgiões ouvidos pelo Estado avaliam que dificilmente Jair Bolsonaro será liberado pelos médicos a fazer campanha de rua antes do primeiro turno das eleições 2018, marcado para 7 de outubro. Em geral, pacientes com quadro similar ao do presidenciável só são autorizados a retornar ao trabalho e às atividades normais no período de um a dois meses após a operação. O candidato sofreu um único golpe de faca que perfurou em três partes o intestino delgado, provocando traumatismo abdominal e hemorragia interna.

Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência, em Juiz de Fora, segundos após a agressão sofrida
 Foto: Fabio Motta/Estadão

Primeira declaração pública

Um vídeo publicado na manhã desta sexta pelo senador Magno Malta (PR-ES), que foi ao hospital visitar o colega, mostra Jair Bolsonaro fazendo sua primeira declaração pública após o ataque. Bolsonaro agradeceu a equipe médica, Deus e disse ser inofensivo. “Será que o ser humano é tão mau assim? Eu nunca fiz mal a ninguém", disse o presidenciável do PSL. "Essa equipe maravilhosa e abençoada evitou que o mal maior acontecesse", complementou Bolsonaro, com voz baixa. 

Mais tarde, no Twitter, a conta oficial do presidenciável publicou uma mensagem dizendo que ele está bem e se recuperando. "Agradeço do fundo do meu coração a Deus, minha esposa e filhos, que estão ao meu lado, aos médicos que cuidam de mim e que são essenciais para que eu pudesse continuar com vocês aqui na Terra, e a todos pelo apoio e orações!". 

O fato deixou mais imprevisível a eleição deste ano, acrescentando nova variável na disputa pelo Planalto, segundo analistas ouvidos pelo Estado. O atentado seria capaz de mudar os rumos da corrida eleitoral restando menos de um mês para o primeiro turno.

Na quinta-feira, algumas campanhas começaram a rever estratégias, entre elas a tática de ataques ao candidato do PSL. A expectativa no momento é sobre a força do tempo de TV no horário eleitoral e a capacidade de transferência de votos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cuja candidatura pelo PT foi barrada pela Justiça Eleitoral. A dúvida agora passa a ser quanto ao tempo de recuperação física de Bolsonaro. Conforme a equipe médica, o tempo mínimo de internação a que ele estará submetido é de uma semana. 

Transferência para hospital em São Paulo

O presidente da Santa Casa de Juiz de Fora, Renato Loures, disse que o deputado foi transferido em condições "muito boas", lúcido e comunicativo. Loures acrescentou que, se houvesse atraso na cirurgia, Bolsonaro poderia ter morrido. 

"Na hora da perfuração é comum não sair muito sangue. A perfuração foi única. Essa faca, o buraco é pequeno, não sai o sangue. Ele fica sendo acumulado no abdome. Tinha mais ou menos, segundo os médicos, 2 litros de sangue dentro da cavidade abdominal", afirmou.

Por conta do vazamento da foto de Bolsonaro no leito hospital, Loures confirmou que policiais federais fizeram vistoria em celulares da equipe médica e quem estava no local. "Não se pode permitir que seja vazada uma foto do paciente dentro do centro cirúrgico. Não sabemos se foi um médico ou um colaborador, mas podemos afastar um médico se tiver sido um. Pode ter sido uma pessoa também que estava junto daquele tumulto de Polícia Federal e segurança", afirmou.

Bolsonaro é atacado quando era carregado por simpatizantes
Carregado nos ombros por simpatizantes, Bolsonaro participava de uma caminhada pelas ruas do centro de Juiz de Fora quando foi esfaqueado por Adelio Bispo de Oliveira – no momento do ataque, ele vestia uma camisa amarela com os dizeres “Meu Partido é o Brasil”, com uma silhueta que lembra o escudo da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). 


Via Estadão



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