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Uma nova tensão interna entre os membros do MDB tem repercutido no partido nos últimos dias. Segundo um membro da legenda, as mulheres de todo o Brasil estão em briga com a executiva nacional pelo não repasse dos 30% dos recursos do Fundo Eleitoral. “O que sabemos é que o senador Eunício Oliveira, tesoureiro do partido, quer ajudar apenas candidatas majoritárias, como a Roseana Sarney”, contou o interlocutor.

Em maio, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que pelo menos 30% do Fundo Eleitoral deve ser gasto em candidaturas de mulheres. O fundo é composto por recursos públicos da ordem de R$ 1,7 bilhão. Ele foi criado no ano passado para aumentar o dinheiro à disposição dos candidatos, uma vez que as doações empresariais estão proibidas. Também ficou decidido que 30% do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão serão destinados a candidaturas femininas.


Segundo a presidente do MDB Mulher em Minas e secretária geral do MDB Mulher nacional, Aparecida Moura, ao contrário dos candidatos a deputado estadual e federal, as postulantes ainda não receberam o dinheiro. Aparecida conta que a política ainda é um ambiente muito machista. “Tantos anos que nós estamos nesse trabalho de empoderamento feminino, agora eu estou sentindo mais na pele o que é a verdadeira discriminação das mulheres na política”, contou.

Segundo ela, antes, as mulheres não incomodavam os homens, pois tinham poucas chances de vencer as eleições. Situação que ela garante ser diferente nos dias de hoje. “As mulheres atualmente têm votos, elas têm chance real de se elegerem, e isso fez com que os homens ficassem preocupados. Eu vi deputado pedindo para uma candidata desistir de concorrer, e pediu que ela desse para ele o dinheiro que vai receber do fundo. Isso é inaceitável. Apesar disso, muitas vezes nós ficamos constrangidas de ver que o machismo no cenário político não melhorou. Ele é presente, e, principalmente agora, nós temos homens que são contra o Fundo Partidário para as mulheres”, declarou.

A presidente do MDB Mulher do Estado acredita que a demora do repasse para as candidatas emedebistas se deu, além do machismo, pela mudança na forma de enviar o recurso. Ela contou que antes o dinheiro seria depositado diretamente na conta das candidatas. Mas, agora, o MDB nacional exigiu que o diretório estadual abrisse uma conta para receber o recurso e, depois, repassasse para as postulantes.

Aparecida contou que nesta semana a presidente nacional do MDB Mulher, Fátima Pelaes, esteve com Romero Jucá para tentar agilizar o repasse. “Infelizmente, a questão da mulher na política depende de favor de homens. Nesta semana, a nossa presidente do MDB mulher nacional se reuniu com Jucá e com Eunício (Oliveira) para apressar, porque não é possível. Já era para ter liberado para todos os Estados. Era para esse dinheiro ter caído no dia 16 de agosto, quando começou a campanha”, contou.

Em Minas, a sigla tem 16 candidatas, sendo que dez delas disputam uma vaga na Câmara dos Deputados, e seis, uma cadeira na Assembleia Legislativa. De acordo com Aparecida, serão repassados R$ 1,9 milhão para serem divididos entre elas de acordo com as resoluções predefinidas com a legenda.

A coluna Aparte tentou entrar em contato com o presidente nacional do MDB, mas as ligações não foram atendidas. (Ana Luiza Faria)

Jornal O Tempo


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