sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Supostas conversas machistas entre estudantes da UnP, sobre colegas de sala, causam constrangimento



Estudantes da Universidade Potiguar (UnP), em Mossoró, tornaram público nesta quarta-feira
(12), uma denúncia grave a respeito de ato de machismo, supostamente, praticado por
graduandos do curso de Direito. A aluna Raadna Karine, de 19 anos, compartilhou o fato em
suas redes sociais e horas depois o assunto ganhou grande repercussão.

Conforme a publicação da estudante, “acontece que os #machosescrotos da turma resolveram
através de um grupo do WhatsApp expor as meninas da sala de forma indigna, desrespeitosa e
humilhante, fazendo comentários sobre suas idades, aparência, quem eles queriam “pegar” ou
“não pegar” utilizando-se de termos totalmente vexatórios constrangedores e ainda fazendo
apologia ao estupro”.


Raadna Karine disse: “Nós, alunas do 2TA, esperamos que as medidas
sejam tomadas e que as pessoas possam refletir sobre o preconceito que, muitas vezes, passa
por despercebido”.

As imagens mostram ainda que um dos integrantes do grupo adverte os demais sobre a forma
como se referiram às mulheres: "Só um pedido, na moral, usar esses termos de comer, arrochar,
pegando e tal quando se referem a alguma menina não é legal e nem justo, pq mulher não é
objeto ou comida. Sem querer ser chato ou algo do tipo, mas é bom a gente ter essa
consciência, na boa mesmo".

Os prints, publicados pela jovem, mostram mensagens como:

"A gente diz as meninas que é só uma confraternização, taca catuada em todo mundo"
"Rapaz tem uma lá que anda com um viado, se ela vacilar eu toru no mei"
"To doido pra torar uma novinha, pode ser qualquer uma da sala"

Ainda em sua publicação, a estudante escreveu: “Parecem não estar absorvendo nada do que
diz o nosso ordenamento jurídico sobre igualdade de gênero, consentimento e respeito”,
comentou a estudante Karine em sua postagem.

Por meio de nota, a assessoria de comunicação da UNP informou que a instituição está apurando o caso para
adoção das medidas necessárias cabíveis.

Informou ainda que a universidade " não pactua com qualquer atitude que venha a ferir os
direitos humanos e a diversidade. Inclusive tem como princípios estabelecidos em sua política
universitária a defesa da luta contra a desigualdade de gênero para que nenhuma mulher sofra
qualquer tipo de violência ou discriminação pelo fato de ser mulher".

Na nota, a instituição repudiou qualquer expressão que "implique objetificação do ser humano
ou desrespeito à sua dignidade".

"Como formadora de pessoas para o mercado de trabalho, a UnP tem firme compromisso com a
cidadania, consubstanciada nos valores éticos, sociais, culturais e profissionais", concluiu.

Mossoró Hoje


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