sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Preso em Mossoró, miliciano diz que polícia não tem interesse em elucidar o caso Marielle


Confinado desde junho a uma cela de seis metros quadrados na Penitenciária Federal de Mossoró (RN), de onde só sai para o banho de sol diário,  o ex-policial militar Orlando de Oliveira Araújo, o Orlando de Curicica , interrompeu a sua rotina de preso na semana passada para contar sua versão sobre as mortes da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes , no dia 14 de março.

Um dos principais suspeitos do crime, Curicica negou a participação no duplo assassinato, mas põe em xeque as investigações conduzidas pela Polícia Civil no caso. Diante do depoimento-bomba prestado pelo ex-PM à Procuradoria Geral da República, a procuradora Raquel Dodge determinou, na tarde desta quinta-feira, que a Polícia Federal investigue as denúncias.

Em entrevista de 15 perguntas por escrito ao Globo, autorizada pela direção do presídio, Curicica afirmou que a Polícia Civil do Rio não tem interesse em elucidar o caso Marielle. Integrantes da corporação, incluindo até o chefe de Polícia Civil, delegado Rivaldo Barbosa , teriam montado, segundo ele, uma intrincada rede de proteção aos “capos” da contravenção envolvidos em assassinatos. A mesma denúncia consta no depoimento de Curicica à PGR, que já avaliava a possibilidade de federalizar a investigação há cerca de um mês.

Procurado pelo Globo, o chefe de Polícia não se pronunciou a respeito.

- O que tenho a dizer, ninguém gostaria de ouvir: existe no Rio hoje um batalhão de assassinos agindo por dinheiro, a maioria oriunda da contravenção. A DH (Delegacia de Homicídios) e o chefe de Polícia Civil, Rivaldo Barbosa, sabem quem são, mas recebem dinheiro de contraventores para não tocar ou direcionar as investigações, criando assim uma rede de proteção para que a contravenção mate quem quiser. Diga, nos últimos anos, qual caso de homicídio teve como alvo de investigação algum contraventor? - perguntou o ex-PM.

Clique AQUI e leia a entrevista



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