segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Consequências do caso Flávio Bolsonaro podem ser ‘desastrosas’, diz analista


As novas evidências de depósitos suspeitos na conta do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) podem trazer consequências “desastrosas” para o governo do presidente Jair Bolsonaro, na avaliação do professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Carlos Pereira. Ele afirma que o “escândalo” cria um desgaste entre o governo e sociedade, no momento em que a confiança da população é crucial para que o Planalto consiga obter vitórias no Congresso Nacional.

“Era importante que a sociedade pudesse pressionar o Congresso e inflasse o preço dos parlamentares que votassem contra o governo. Mas se o governo começa a sentir desgastes dessa natureza (como o caso de Flávio Bolsonaro), ele corre o risco de, muito rapidamente, se tornar refém do Congresso e ter dificuldade para aprovar projetos importantes”, explica o especialista.


Trecho de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), revelado na noite da última sexta-feira , 18, pelo Jornal Nacional, da Rede Globo, mostra que em um mês quase 50 depósitos em dinheiro foram feitos numa conta de Flávio, filho do presidente Bolsonaro. A suspeita, segundo a reportagem, é que funcionários dos gabinetes devolviam parte dos salários, numa operação conhecida como “rachadinha”.

O professor da FGV acredita que ainda é cedo para avaliar se a confiança da população em relação ao governo já foi, de fato, abalada. No entanto, o extrato do eleitorado que votou no ex-capitão por questões estratégicas, como o antipetismo ou a falta de opção, tende a apresentar desgastes mais rapidamente “caso o governo continue insistindo na negação ou na obstrução das investigações”.

Na última quinta-feira, 17, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, decidiu suspender temporariamente a investigação sobre Fabrício Queiroz, a pedido de Flávio Bolsonaro. Queiroz foi assessor de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e é investigado por movimentação suspeita de contas bancárias. O filho do presidente pediu, também, a anulação das provas contra seu ex-assessor alegando que “o Ministério Público do Rio se utilizou do Coaf para criar atalho e se furtar ao controle do Poder Judiciário, realizando verdadeira burla às regras constitucionais de quebra de sigilo bancário e fiscal”.

Pereira, da FGV, avalia que “mais desastroso” que o escândalo da movimentação financeira suspeita “é a posição do próprio Flávio de tentar minimizar as investigações”.

Estadão


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