terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Gambiarra de gás natural em veículo quase causa tragédia em Mossoró (Veja o vídeo)


Uma montagem improvisada de um cilindro de gás natural com uma extensão para um botijão de GLP numa camioneta S10, cabine dupla, quase termina em tragédia no posto JP, no inicio da noite desta segunda-feira, 21, em Mossoró-RN.

O proprietário do veículo (está em nome de José Edmir de Araujo)  instalou o cilindro de gás natural e, para aumentar a autonomia de funcionamento do veículo, fez uma gambiarra, anexando ao cilindro um botijão de gás GLP.


O que ocorre é que o cilindro de gás natural suporta até 375 bar (unidade de medida de gás natural) e por lei deve ser reabastecido até no máximo 255 bar.  O cilindro é fabricado para suportar o compressor de reabastecimento, que vai até 220 bar de pressão.

Já o botijão de GLP suporta menos de 40 bar de pressão, sendo, assim, quando se tenta reabastecê-lo com o compressor de 220 bar, naturalmente este botijão de GLP não vai suportar. Vai explodir. Foi o que aconteceu na noite de segunda-feira, 21, no Posto JP.

E este tipo de gambiarra está cada vez mais comum nos veículos, principalmente em função do preço muito alto da gasolina e do diesel nos postos de combustíveis. Optam por gás natural, que oferece menos autonomia, e instalam gambiarras com botijão de GLP para ter mais autonomia.

E por quais razões estes veículos não explodem com freqüência? Segundo um especialista, o sistema de gás natural instalado no veículo quando vai reabastecer deve ser desligado a conexão entre o cilindro de gás natural e o botijão de GLP.

Ao desligar esta conexão,  (que deve ser um sistema automática ou manual), evita que nos posto de reabastecimento o compressor de até 220 bar exploda o botijão de GLP, que não suporta 40 bar, podendo ocasionar tragédias de até grandes proporções.

O motorista da S10 verde que o botijão explodiu, Antônio Ailton dos Santos, admitiu o erro. Não se negou em entregar seus documentos pessoais e do veículo. Ficou um pouco  no local e depois foi embora, antes da Policia Militar, Bombeiros, PRF, Polícia Civil e ITEP chegarem.

Os bombeiros disseram que não tinha como ver se a camioneta estava equipada com cilindro e gambiarra de botijão, pois a válvula de reabastecimento é na frente, o cilindro e o botijão estavam acomodados na carroceria do veículo.

A violência da explosão foi tão grande que arrancou e arremessou uma banda da carroceria da camioneta S10 a uma distância superior a 50 metros à direita (na direção da pista da BR 304 e alguns caminhões estacionados).



A carga que havia na carroceria, uma motocicleta Biz e vários outros objetos pesados, foram arremessados para o alto, destruindo o teto do posto. A outra banda da carroceria foi arremessada na direção de outras bombas do posto, tendo acertado um portão de alumínio e perfurado.

O cilindro de gás natural, que estava ao lado do botijão de GLP na carroceria da camioneta foi arremessado há 20 metros. O frentista, como regra, fica na frente do veículo, distante do local que são geralmente instalados os cilindros. É uma medida protetiva. Isto o salvou.

O frentista contou que se afastou do local da explosão, mas percebeu que a válvula de gás tinha ficado aberto, retornou e fechou. O sistema de abastecimento do posto, em casos assim, trava sozinho, impedindo vazamento de gás. O sistema funcionou bem.

O motorista da S10, Antônio Ailton dos Santos, havia deixado o veículo sendo reabastecido e estava na conveniência do posto, afastado. Os moradores vizinhos foram até o posto assustados com a explosão. Lá foram informados que o sistema de segurança do posto funcionou bem.

Após a explosão, o motorista Antônio Ailton dos Santos deixou os documentos no carro e foi embora. A Polícia Rodoviária Federal disse que não era competência deles. O Corpo de Bombeiros foi ao local, avaliou a situação, confirmou que estava tudo certo.

A Polícia Militar ficou no local por alguns instantes, mas também foi embora. Deixou o local isolado. A Polícia Civil foi acionada. O delegado Evandro dos Santos disse que a princípio não se trata de delito de natureza criminal e sim, cível.

O gerente do posto protestou. Segundo ele, o proprietário do veículo colocou em risco o posto, as pessoas que estavam no local e também até o motorista do veículo dele quando instalou gás natural num botijão de GLP, portanto, exigiu tomada de providências.

Depois de reavaliar o caso, discutir com os policiais da Rodoviária Federal e com os peritos do Instituto Técnico-científico de Perícia, o delegado Evandro do Santos expediu solicitação de perícia no veículo e na estrutura do posto, avaliando o risco de morte.

O veículo foi apreendido e levado para mais avaliações na sede do ITEP. O caso vai ser investigado, o motorista e o proprietário do veículo serão intimados para comparecerem à delegacia e prestar esclarecimentos a respeito desta ocorrência.

Mossoró Hoje



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