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quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

“Seremos parceiros do RN, mas estaremos na oposição ao governo de Fátima”, diz Beto (Confira a entrevista)


O deputado federal Beto Rosado (PP), reeleito para o segundo mandato, é o único parlamentar da bancada federal do Rio Grande do Norte que reside atualmente no interior do estado, a partir de Mossoró e região Oeste. Daí, a sua responsabilidade de representar em Brasília as demandas dos municípios e cidadão interiorano.

Beto credita a esse perfil, de deputado do interior, a sua vitória nas urnas. Ao mesmo tempo, afirma que aumenta a responsabilidade de lutar pelos direitos e necessidade dos potiguares que são negados a quem reside fora da capital.


Na manhã de sexta-feira, 28, Beto Rosado tomou o “Cafezinho com César Santos” na sede do JORNAL DE FATO. O parlamentar fez avaliação do seu primeiro mandato na Câmara e projetou o segundo mandato. Beto também falou sobre a polêmica que envolveu o resultado final das eleições de 2018, quando o petista Fernando Mineiro saiu da lista de eleitos para a confirmação de sua reeleição. E, por fim, adiantou como será a sua postura em relação aos governos do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e da governadora Fátima Bezerra (PT).

Jornal De Fato: A sua reeleição, digamos, foi confirmada na prorrogação das eleições de 2018, em consequência do “Caso Kerinho”. Por conta disso, adversário e/ou partidários do deputado Fernando Mineiro acusaram que a sua vitória foi “golpe”. Esse tipo de crítica incomoda?

Beto Rosado: Não, não incomoda. No entanto, é preciso explicar para não deixar prevalecer a inverdade. O que aconteceu é que o candidato Kéricles, “Kerinho” (PDT), de nossa coligação, estava sub judice e, no primeiro momento, os seus votos não foram contados. Ele recebeu 8.990 votos. O Tribunal Regional Eleitoral acusava que Kéricles não havia enviado a documentação necessária para o registro de candidatura. Após as eleições, essa questão foi analisada pelo Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília, e foi comprovado que o candidato entregou todas as informações no tempo certo. Foi detectada também uma falha no sistema da Justiça Eleitoral, o que inocentou o candidato de qualquer erro. Com isso, o TSE determinou que os votos de Kéricles fossem contados. Então, no momento em que foi feita a nova contagem, o novo quociente eleitoral, a nossa coligação teve mais voto do que a coligação de Mineiro, e assim ficamos dois deputados federais, Walter Alves e eu, e eles elegeram apenas a deputada Natália Bonavides, com ele descendo para a primeira suplência. Foi isso que aconteceu.

Mas, partidários de Mineiro estão vendendo outra versão…

A nossa coligação superou a votação da coligação de Mineiro. É fato e não se discute. E com essa votação superior fizemos dois deputados federais. A decisão do TSE em reconhecer a legalidade da candidatura de Kéricles, admitindo que a falha foi do sistema eleitoral da própria Justiça, restabeleceu o resultado das urnas. Fez justiça à escolha do eleitor sob o ponto de vista da eleição proporcional. Essa é a regra do jogo. Vale lembrar que na eleição passada, a deputada Larissa Rosado (PSDB) teve bem mais votos do que Mineiro, e ele acabou sendo beneficiado pelos votos da coligação, sendo eleito, e Larissa ficando na suplência de outra coligação. Observe que se a regra fosse para eleger os mais votados, eu estaria eleito do mesmo jeito, porque fiquei na oitava colocação entre todos os candidatos. Nesse caso, sairia o deputado Fábio Faria (PSD), que foi o nono colocado. Dessa forma, Mineiro não tem do que reclamar. É a regra do jogo, que já o beneficiou no passado recente.

Dos atuais deputados federais que renovaram o mandato, o senhor foi o único que conseguiu ampliar a votação em relação às eleições de 2014. Mesmo assim, a sua votação ficou aquém do esperado. O senhor se decepcionou, mesmo tendo sido reeleito?

Eu fiquei feliz com a votação que recebi e com a reeleição garantida pelo eleitor. Eu confesso que havia uma perspectiva de ter uma votação um pouco maior, mas no desenrolar da campanha eleitoral nós tivemos uma percepção de que houve uma mudança muito grande do eleitorado. Muitos candidatos que eram favoritos tiveram votações muitos menores, caíram pela metade em relação às eleições anteriores e outros sequer conseguiram se eleger. Eu fui o único parlamentar candidato à reeleição que teve a votação ampliada, saindo de 64 mil votos em 2014 para mais de 71 mil votos agora em 2018.

Qual a perspectiva que o senhor tem para o segundo mandato?

Pretendo continuar o meu histórico de luta pelo desenvolvimento do Rio Grande do Norte. Eu tenho um perfil mais voltado para o interior do estado, buscando a melhoria da empregabilidade a partir do fortalecimento das nossas potencialidades econômicas, como a indústria salineira, a fruticultura, o setor do petróleo. Então, esse perfil que eu tracei, que já trouxe do meu pai (ex-deputado federal Betinho Rosado, presidente estadual do PP), quero continuar porque o nosso estado tem um grande potencial, mas muitas vezes é desfavorecido em nível nacional, e isso exige de nós a luta permanente para manter o Rio Grande do Norte no mapa do Brasil.

 Qual vai ser a postura do seu mandato frente ao governo do futuro presidente Jair Bolsonaro?

Eu pretendo ser parceiro para o desenvolvimento do país. Serei a favor de uma agenda propositiva a favor da população. O nosso mandato tem o perfil de parceiro e estaremos apoiando sempre o que for bom para o país e para os brasileiros. Mas serei vigilante sempre, cumprindo o meu dever de defender a população, principalmente do meu estado.

Mas o seu partido, o Progressista, vai compor a base do governo…

Muito provavelmente. Deve um outro parlamentar que não vai seguir essa orientação, mas provavelmente a grande maior do partido vai compor a base do futuro governo. Isso, porém, não significa dizer que eu serei um governista. Repito, farei um mandato em defesa do país. O que for bom para o Brasil e para os brasileiros, eu apoiarei.

O presidente eleito Jair Bolsonaro já antecipou que a reforma previdenciária deve ser votada no primeiro semestre de 2019, por se tratar de uma necessidade urgente. O senhor, no primeiro momento, assumiu posição contrária à reforma da Previdência. E agora? Como será a sua posição frente à polêmica reforma?

O governo do presidente Michel Temer veio com um pacote completo da reforma da Previdência que acabou sendo rejeitado pela maioria dos parlamentares, inclusive por mim. Eu tinha a seguinte visão: o país precisa fazer a reforma da Previdência, isso não se discute, mas é preciso estudar a mudança que garante a gestão econômica sem tirar direitos do cidadão. A gente sabe que a seguridade social tem um déficit muito grande e isso precisa ser bastante discutido. Já o governo do Bolsonaro, através do futuro ministro Paulo Guedes, anunciou que vai fatiar a reforma da Previdência. Então, nós vamos analisar ponto a ponto, a questão da idade, a questão do fator previdenciário, e votar aquilo que não prejudique os brasileiros. Eu sou a favor de uma reforma que não traga prejuízo à população de direitos adquiridos.

Qual vai ser a posição do seu partido, o Progressista, em relação ao governo de Fátima Bezerra (PT)?

Nó fomos aliados em 2014 e adversários agora em 2018. Então, partiremos na oposição, mas obviamente nós temos o perfil de buscar o melhor para o Rio Grande do Norte. Então, o que for possível ser feito de parceria e aliança para o Estado, nós vamos fazer. Paralelamente, faremos uma oposição responsável, propositiva, construtiva, que possa cumprir a missão delegada pelo eleitor.

Existe a possibilidade de fazer parte da base política da futura governadora?

Isso não. No primeiro momento, essa possibilidade está descartada.

A Prefeita Rosalba Ciarlini, que é de seu partido, tem enfrentado dificuldades, inclusive política. O resultado das eleições deste ano foi negativo, por consequência disso. De que forma, a seu ver, o governo Rosalba poderá se recuperar para tornar a prefeita forte na sucessão municipal de 2020?

O país enfrenta uma recessão profunda, os Governos Estaduais e Municipais foram afetados de forma contundente, com frustração de receitas e de problemas que se acumularam. A prefeita Rosalba, quando assumiu a Prefeitura de Mossoró, além da crise nacional, ela encontrou o caos por conta dos problemas do governo anterior. Então, entendo que ela está arrumando a Casa, recuperando a estrutura da máquina municipal, para devolver os bons serviços à população. Feito isso, eu acredito que nos próximos dois anos a prefeita vai dar as respostas que a sociedade espera e exige. Ela terá o meu trabalho em Brasília em prol de Mossoró. Meu mandato está à disposição da cidade. Vamos lutar para trazer mais recursos, para realizar mais obras, melhor a vida das pessoas. Certamente, isso vai refletir na opinião pública. Rosalba é conhecida dos mossoroenses, está na quarta gestão de prefeita, foi senadora da República e governadora. Então, acredito que a sua competência e a sua experiência serão importantes para melhorar o cenário local.

O senhor recebeu pouco mais de 16 mil votos em Mossoró, a sua principal base política e eleitoral, e onde se concentra o maior volume de recursos destinados por suas emendas parlamentares. O senhor ficou frustrado com essa votação?

Estamos vivendo um momento de mudança. Os políticos estão sendo vistos de outra forma pela sociedade, muito por conta de episódios negativos vividos nos últimos tempos. Isso respinga em todos os políticos. Então, eu debito parte dos problemas que eu enfrentei na campanha a esse momento crítico. Alguns temas foram explorados de forma absurda, principalmente com relação ao debate de temas sociais. Eu vivi isso em relação à reforma trabalhista. Tentaram me atingir através de desinformação. Foi amplamente divulgado e explorado nas redes sociais que foi feita a reforma para tirar direito dos trabalhadores, quando na verdade foi o contrário, e eu, que votei a favor, fui atingido por essas notícias falsas. Então, as pessoas estão aprendendo a lidar com esse novo momento e penso que daqui a pouco a verdade prevalecerá e as pessoas perceberão que a reforma trabalhista foi algo bom para o país. Em relação a minha votação na cidade, com mais de 16 mil votos, não me sinto frustrado. Poderia ter tido mais, é verdade, mas fui o candidato a deputado federal mais votado em Mossoró, e isso, para mim, é uma honra e a certeza do reconhecimento do trabalho que realizo em Brasília em prol da nossa cidade e do nosso estado.

Jornal de Fato


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