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Bebianno fala sobre laranjas na eleição e diz que Bolsonaro “está com medo de respingo”


O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, disse que seu chefe Jair Bolsonaro (PSL) lhe tem dirigido ataques públicos porque está com "medo de receber algum respingo" da denúncia de que o partido de ambos, o PSL, desviou R$ 400 mil do fundo partidário para a campanha de uma "candidata laranja" em Pernambuco. Mais cedo, como este site mostrou, Bolsonaro desmentiu Bebianno e disse que não conversou com o auxiliar na última terça-feira (12), reiterando o que seu filho Carlos Bolsonaro postou na quarta, 14, no Twitter.

Em entrevista à revista digital Crusoé, Bebianno resolveu se defender e aumentou o tom da discussão. Presidente interino do PSL durante as eleições, o agora ministro foi o responsável pelo caixa da campanha nacional e, nesta condição, partiu para o contra-ataque. "Não sou moleque, e o presidente sabe. O presidente está com medo de receber algum respingo", fustigou.


Segundo a reportagem-entrevista assinada por Igor Gadelha, as declarações de Bebianno foram dadas na tarde de quinta-feira (14) no caminho entre o hotel em que o ministro mora em Brasília e o Palácio do Planalto, onde despacha diariamente. Rumores sobre sua demissão crescem e, diante da crise crescente, Bolsonaro se limita a dizer que determinou investigação à Polícia Federal. "Se estiver envolvido, logicamente, e responsabilizado, lamentavelmente o destino não pode ser outro a não ser voltar às suas origens", disse o presidente, em entrevista à TV Record.

"Em nenhum momento conversei com ele", reforçou Bolsonaro.

Na entrevista à Crusoé, Bebianno não abaixa a guarda e dirige provocação ao presidente. "Imagino que ele esteja com esse medo, com essa preocupação infundada. Alguém botou minhocas na cabeça dele em relação a esse assunto. Por que ele não tem essa preocupação em relação a Minas Gerais?", questionou, referindo-se a outra acusação de fraude eleitoral – ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio (PSL) é suspeito de ter usado candidatas laranjas em benefício próprio em Minas Gerais, onde quatro candidatas do PSL em Minas receberam R$ 279 mil do comando nacional do partido por indicação do próprio Marcelo.

Ex-homem de confiança do presidente e, agora, protagonista da primeira grande crise no núcleo do governo, Bebianno diz ainda que não pode ser responsabilidade por possíveis fraudes eleitorais envolvendo uso de candidaturas laranjas. "Se tem alguma fraude, alguma coisa de errado, a primeira coisa que se pergunta é o seguinte: quem foi o beneficiado?", indaga.

Ainda segundo a reportagem, ele chegou a estar praticamente decidido a pedir demissão na madrugada de ontem (quarta, 13) para hoje. Mas, durante todo o dia desta quinta-feira, foi demovido da ideia por aliados. "Meu foco agora é o trabalho, tentar reparar os possíveis estragos que possam ter existido", declarou o secretário-geral.

No encerramento da entrevista, Bebbiano comenta a possibilidade de Bolsonaro demiti-lo e, como o próprio presidente disse, obrigá-lo a "voltar às origens". "Todos nós voltaremos às nossas origens. As nossas origens estão no cemitério. Todos voltaremos às nossas origens. O presidente não morrerá presidente. Muitas pessoas que se elegeram agora – eu não quero citar nomes – também estão aí sob foco de investigações. Vamos ver, está certo? Eu sou homem. Não sou moleque", completou Bebianno.

Confiança perdida

Advogado do presidente, Bebianno assumiu a presidência nacional do PSL durante a campanha eleitoral por ser considerado homem de confiança de Bolsonaro. Ao deixar o comando do partido, após a eleição, ganhou a Secretaria-Geral da Presidência, considerada uma pasta importante no governo. Segundo reportagem publicada no último domingo (10) pela Folha de S.Paulo, ele liberou R$ 400 mil de dinheiro público, do fundo partidário, para uma candidata que concorreu a uma vaga de deputada federal e teve apenas 274 votos.

De acordo com a Folha, Maria de Lourdes Paixão recebeu o terceiro maior montante entre os candidatos do PSL – mais do que o próprio Bolsonaro e a deputada Joice Hasselmann (SP), eleita com mais de 1 milhão de votos.

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