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Uma publicação do presidente Jair Bolsonaro numa rede social provocou polêmica e muitas críticas.

No feriado, o presidente não tirou folga das redes sociais. Na terça-feira (5), num dos últimos comentários sobre o carnaval, o presidente postou o vídeo, com imagens de um bloco de rua, que desfilou na segunda-feira (4), no centro de São Paulo.

A imagens mostram um homem fazendo um ato pornográfico e o outro urina nele. O presidente comentou a cena: “Não me sinto confortável em mostrar, mas temos que expor a verdade para a população ter conhecimento e sempre tomar suas prioridades. É isto que tem virado muitos blocos de rua no carnaval brasileiro”.

No fim, Bolsonaro pede: “Comentem e tirem suas conclusões”.


Duas horas depois da postagem, o vídeo recebeu uma tarja dizendo: “Pode incluir conteúdo sensível”.

Não fica claro se o alerta foi feito por iniciativa do presidente ou da rede social em que o vídeo foi publicado.

Em nota, o Twitter disse que: “tem regras que determinam os conteúdos e comportamentos permitidos na plataforma, e eventuais violações estão sujeitas às medidas cabíveis”.

As reações foram imediatas. Milhares de internautas criticaram a publicação: “É vergonhoso o presidente do Brasil compartilhar esse tipo de coisa. Existem assuntos mais importantes a serem tratados atualmente”.

Outro escreveu: “É um horror, mas também é um horror esse assunto ser tratado assim por um presidente”.

Este outro internauta comentou: “Vc devia, ao invés de divulgar essa obscenidade, celebrar a alegria dos brasileiros, a diversidade e a cultura popular”.

Teve gente que concordou com o presidente: “Presidente dou maior apoio! Todos precisam saber o que na verdade rola no carnaval pelo Brasil!”.

O vídeo continua no perfil do presidente e nesta quarta-feira (6) ele ainda alimentou a polêmica. Provavelmente motivado por comentários à postagem, Bolsonaro perguntou o que significa a expressão em inglês que denomina a prática mostrada no vídeo que publicou, o que causou ainda mais críticas.

Internautas questionaram o fato de o presidente levar a milhões de pessoas imagens do que ele sempre condenou e destacaram que, na maioria dos blocos de carnaval, não acontece nada assim. A publicação do presidente também provocou reação de parlamentares contra e a favor da publicação de Bolsonaro.

A deputada Carla Zambelli, do PSL, partido do presidente, defendeu Bolsonaro. Atribuiu o ato a pessoas de esquerda: “Se Bolsonaro tivesse receio de chamar o errado de errado e de expor cada crime e obscenidade praticados pela esquerda, ele não teria sido eleito presidente da República”.

O líder do PSL no Senado, Major Olímpio, tentou explicar o ato de Bolsonaro.

“O presidente usou de uma comunicação direta, dura, mas direta, como ele sempre fez e é uma característica dele ao se dirigir para a população e ele para mostrar o seu inconformismo de atos que extrapolam a folia do carnaval”, disse.

E teve muita crítica. O deputado Alessandro Molon, do PSB, disse que: “Os tweets de Bolsonaro são, do início ao fim, incondizentes com o cargo que ocupa”.

O deputado Kim Kataguiri, do Democratas, partido aliado ao governo, escreveu: “Há muitas boas razões para criticar o carnaval, não faltam problemas que poderiam ser evidenciados e evitados. Isso não justifica mostrar uma obscenidade para milhões de famílias por meio de uma rede social sob o pretexto de criticar a festa”.

O senador Randolfe Rodrigues, da Rede, disse que a publicação de Bolsonaro foi “para atacar as vozes de oposição ao seu governo, que se levantaram na festa mais democrática do país: o carnaval”.

O deputado Daniel Coelho, líder do PPS, também criticou a publicação do presidente.

“O Brasil não pode ser governado por algoritmo de internet. Nós precisamos que o presidente lidere o país. Temos um debate muito sério sobre segurança, sobre Previdência, que precisa ser colocado”.

Fora do Brasil, o assunto também ganhou destaque. Jornais do mundo todo falaram sobre a publicação do presidente Bolsonaro. O americano “The New York Times” lembrou que o presidente tem mais de três milhões de seguidos e disse que a publicação despertou reações.

O britânico “The Guardian” disse que o presidente provocou indignação e nojo e que a publicação foi feita “em aparente tentativa de rebater críticas à sua administração feitas durante o carnaval”. O jornal mexicano “Excelsior” disse que as imagens foram criticadas por muitos internautas e destacou que o assunto foi um dos mais comentados nas redes sociais brasileiras

Em nota, a Secretaria de Comunicação da Presidência da República disse que “no vídeo, postado pelo sr. presidente da República em sua conta pessoal de uma rede social, há cenas que escandalizaram, não só o próprio presidente, bem como grande parte da sociedade”; que “é um crime, tipificado na legislação brasileira, que violenta os valores familiares e as tradições culturais do carnaval”.

Ainda segundo a nota, “não houve intenção de criticar o carnaval de forma genérica, mas sim caracterizar uma distorção clara do espírito momesco, que simboliza a descontração, a ironia, a crítica saudável e a criatividade da nossa maior e mais democrática festa popular”.

Jornal Nacional


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