domingo, 7 de abril de 2019

Sobre o da da mentira: Crianças começam a mentir por volta de 5 anos e diálogo é a chave para combater esse comportamento

Psicóloga Danielle Azevedo
Já fiz minha tarefa. Hoje não tem aula. Comi tudo. Minha barriga dói. Não fui eu. Essas são pequenas mentiras ditas por crianças cotidianamente. Os pequenos começam a mentir por volta dos cinco anos e é importante que os pais tenham atenção a esse comportamento, tentando entender a razão daquela atitude e alertar sobre as consequências que a mentira pode causar. Diálogo é sempre a chave para combater essa prática.

No dia 1º de Abril, Dia da Mentira, as psicólogas do Hapvida em João Pessoa Danielle Azevedo e Joyce Pontes falam sobre o hábito de mentir e afirmam que por mais que cause vergonha, todo mundo já mentiu. Porém, por trás de uma mentira, seja ela minúscula ou de grandes proporções, sempre há um histórico de personalidade, experiências de vida e comportamentos.


 “Ainda que seja difícil admitir, todo mundo já mentiu em alguma situação na vida. Por mais que seja uma mentira simples, elas são praticadas. O que vale ressaltar é que há casos em que algumas pessoas não sabem se relacionar sem mentir. E aí a mentira passa a ser uma ferramenta muito comum para se beneficiar e prejudicar as pessoas, seja em relacionamento, trabalhos ou qualquer outro lugar”, explica Danielle Azevedo.

A psicóloga do Hapvida psicóloga Joyce Pontes destaca que um indivíduo começa a mentir por volta dos cinco anos, fase em que a criança não consegue ainda distinguir totalmente a realidade da fantasia, tendo assim, certa dificuldade em diferenciar o que é verdade ou não. “Muitas vezes, os pais tem o hábito de mentir e a criança acaba observando e reproduzindo aquele comportamento, que passa a ser natural. Em alguns casos, a criança utiliza a mentira como uma autopreservação, onde ela mente para se proteger, como por exemplo, ela quebra algo que sabe que os pais gostam muito e para não ser castigada ela mente, mas a intenção dela é de defesa, não de fazer o mal”, afirma.

Joyce ressalta ainda que em alguns casos, a criança pode conviver em um lar violento, conflituoso, com pais ausentes, então ela cria seu próprio mundo e mente para as pessoas na tentativa de suportar aquela realidade. “Quando isso ocorrer o ideal é não acusar a criança de mentirosa ou de algo ofensivo, para que o emocional dela não seja afetado, mas questionar e tentar entender a real razão da criança ter contado uma mentira e intervir mostrando e alertando sobre os riscos e consequências que a mentira pode causar de acordo com a situação”, orienta.

Porém, como tudo na vida, toda ação humana possui suas consequências. Nesse sentido, o ditado popular de que “mentira tem pernas curtas” ganha forças. “A mentira quando é contada pelo indivíduo e vem acompanhada de más intenções ou até mesmo para ganho pessoal, conhecida como a ‘mentira dolosa’, pode acabar prejudicando não só outras pessoas, mas a si próprio, pois a pessoa que contou a mentira pode acabar perdendo a credibilidade, a confiança e, consequentemente, a vida social pode acabar sendo afetada”, ressalta Joyce Pontes.

Mitomania – Apesar de no dia 1º de abril a mentira ser algo comum, é preciso estar atento ao dia a dia das pessoas que mentem porque a mentira em nível elevado passa a ser uma doença, conhecida como mitomania, que nada mais é que um distúrbio de personalidade. “A mitomania ocorre quando o paciente mente compulsivamente com o objetivo de se beneficiar ou prejudicar as pessoas. Quem sofre desse distúrbio tem grandes dificuldades de se relacionar socialmente e não demonstram constrangimento quando as mentiras são descobertas. Além disso acreditam na própria mentira, tornando difícil a realização do tratamento em consultório”, explica Danielle Azevedo.

Em casos de mitomania há uma dificuldade muito grande de reverter o quadro. Porém, é possível que haja uma diminuição do quadro clínico com o tratamento psicoterápico, uso de psicotrópicos em conjunto com a psiquiatria. “Por se tratar de um distúrbio de personalidade o paciente precisa ter um acompanhamento multidisciplinar, pois é uma patologia que não tem cura”, afirma a psicóloga do Hapvida.

Além disso, Danielle Azevedo esclarece que em casos de mitomania o paciente precisa aprender a conviver com a doença e o próprio paciente será o responsável pelo controle da patologia, o que é considerado muito difícil, porém, não chega a ser algo impossível.


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