Cacim


Há 10 anos, Jack foi atropelado em Campos do Jordão, um dos principais destinos de inverno do estado de São Paulo. O que ele não sabia é que aquele acidente ia mudar sua vida e a de muitos outros animais abandonados.

Jack, um cachorro peludo e preto de grande porte, foi atropelado na frente da irmã da administradora Gabriela Masson, de 32 anos, que passava uma temporada na cidade com a família. “A gente trouxe ele para casa. Cuidamos dele no meu apartamento, em São Paulo, até ele ficar bem”, conta Gabriela.

O combinado era que, quando Jack se recuperasse, ele voltasse a ficar na casa de Campos do Jordão. O cachorro, porém, conseguiu conquistar toda a família, e o que era para ser uma estadia curta no apartamento da capital paulista se prolonga até hoje.

“A gente não esperava que ele ia ser o nosso primeiro cachorro adotado. E assim que a gente entendeu que a nossa missão era espalhar Jacks por aí e mostrar para as pessoas que aquele vira-lata que elas estão ignorando, que está precisando delas ali na porta da casa delas, pode ser o amor da vida delas”, diz Gabriela Masson.

Nos anos seguintes, ela e a família seguiram ajudando e resgatando animais abandonados até decidirem abrir uma organização não governamental (ONG) e ter um abrigo para acolher os animais enquanto eles não eram adotados. Assim, surgiu em 2012 a Amigos de São Francisco, que já acolheu, cuidou e fez a adoção de cerca de 2 mil animais desde então.

Milhares de animais abandonados

A Amigos de São Francisco é apenas uma entre as centenas de organizações que acolhem animais abandonados no Brasil. Segundo um levantamento do Instituto Pet Brasil, ao qual o G1 teve acesso com exclusividade, mais de 170 mil animais estão sob os cuidados de 370 ONGs e grupos que atuam na área de proteção animal em todo o Brasil.

Do total, 169 entidades estão no Sudeste, tutelando mais de 78 mil animais. A maior parte dos animais é formada por cachorros (96%) e apenas uma minoria, gatos (4%).
O Instituto Pet Brasil levou mais de seis meses para mapear as organizações em todo o país. As ONGs e os protetores forneceram informações sobre suas capacidades de acolhimento e o acolhimento real no momento da pesquisa.

“Nós fomos entender um pouco a dinâmica das ONGs. Animais podem estar na rua, mas não são necessariamente abandonados, pois pode ter gente que cuida deles, que dá água, que dá uma tutela pela vida deles. Assim, consideramos abandonados os que não têm ninguém. Nestes casos, as ONGs e os protetores acabam atuando para pegar esses animais”, diz Martina Campos, diretora-executiva do Instituto Pet Brasil.

Martina afirma que a grande maioria das organizações não informa o CNPJ de forma clara e se apresenta apenas em redes sociais, com poucas informações disponíveis. “Existem ONGs que se intitulam assim, mas são grupos de protetores”, diz. Por isso, o levantamento abrange tanto as organizações maiores e mais estruturadas, quanto esses grupos menores. O resultado final foi de 370 organizações mapeadas.

Com base nos dados fornecidos por estas organizações, o instituto classificou as entidades, analisou a capacidade máxima de acolhimento e chegou à estimativa de 172,1 mil animais abandonados sob tutela.

G1


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