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Cabisbaixo, o olhar caído, ele mal consegue erguer o pescoço. Vez em quando, mira as mãos de quem manuseia o soro e os medicamentos intravenosos que circulam por seu corpo, que, embora ainda guarde a aparência forte, está debilitado por uma infecção generalizada.

Muito machucada, a boca expõe cinco focos internos de necrose. Na região do crânio e das orelhas, há por toda parte lesões decorrentes de mordidas. A qualquer gesto ou mínimo movimento, os ouvidos expelem pus. Furos e cicatrizes espalham-se da cabeça às patas do animal.


Era 1h37 de sábado (21) quando despertou com 42,3ºC de febre. Sofreu, no começo da madrugada, duas convulsões e uma parada cardiorrespiratória. Diagnosticado com caquexia, grau extremo de enfraquecimento, desidratação e anemia, felizmente foi reanimado. A cada segundo, porém, suas chances de sobrevivência tornavam-se mais escassas.

Em sua batalha pela vida, o cão também enfrenta o obstáculo da desconfiança e do medo. “Ele não sabe o significado de um carinho, porque o carinho, para ele, sempre veio acompanhado de dor, sofrimento”, explica a veterinária Kelly Magda, 41, após passar dia e noite ao lado dele.

Na verdade, nada está sendo fácil para o pit bull Boston, assim rebatizado após ser resgatado de uma rinha de cachorros desmantelada pela Polícia Civil, na noite de sábado (14), em Mairiporã, Grande São Paulo. Das 41 pessoas presas na ocasião, apenas uma continua detida. Desde que foi salvo, Boston está na UTI.

Folha de SP

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