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Até o último domingo, 15, o número de animais mortos na Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA) chegou a 17. A informação foi repassada ao Jornal de Fato pela professora dos cursos de Zootecnia e Medicina Veterinária da instituição, Débora Façanha. A pesquisadora denunciou na última sexta-feira, 13, as mortes dos ovinos. (Clique AQUI e leia a matéria)

À reportagem, Débora disse que vive um “luto” pelas mortes dos animais devido ao apego a eles durante o trabalho que é realizado. Segundo ela, existe uma grande perda para a Universidade e as pessoas envolvidas.

“Eu não sei quantificar a minha preocupação em relação a isso. Só sei que estou vivendo um luto por causa dos animais, porque a gente se apega com os animais que a gente trabalha. Existe um prejuízo emocional para nós, existe uma perda do patrimônio público, uma perda do experimento; existe um risco que o pesquisador e estudantes correm em trabalharem em um ambiente contaminado. Muitas doenças são classificadas como zoonoses. São doenças que acometem também os humanos”, lamentou a professora que prossegue:

“Se for confirmada a clostridiose existem vários tipos da doença. Uma delas é o tétano. Então, a gente se preocupa com as condições de trabalho e com a nossa segurança enquanto pesquisador, enquanto professor e estudantes”, completa.

Débora Façanha também falou da importância da universidade “como espelho da instituição para a sociedade”.

“O que a sociedade espera de uma instituição como essa é que seja uma referência na pesquisa, no ensino, e que ensine as coisas da foram correta. Nós temos obrigação enquanto servidores públicos pagos pela sociedade, enquanto instituição pública paga pela sociedade, de fazer as coisas corretas e não da forma como foi feito. Isso (mortes dos animais) não tem como mascarar, não tem como diminuir os números da mortalidade”.

Débora Façanha relata que oito animais haviam passado pela necropsia até a última sexta-feira e depois disso, outros morreram no final de semana. Ela comentou que os alunos estão coletando o material.

“Oito animais foram necropsiados na semana passada. Depois desses animais morreram mais. Os meus alunos estão coletando. Um aluno da veterinária está coletando. Só ontem (domingo), morreram mais quatro e teve dois animais que morreram e não foram necropsiados porque foi no fim de semana e eu não sei o que fizeram com o primeiro animal que morreu (que era um cordeiro), disse Façanha ao informar que as amostras ainda não foram enviadas para Belo Horizonte.

“Essas amostras ainda não foram enviadas. Eu comprei os isopores agora para mandar. O núcleo vai fazer os cortes para o isto patológico. Quando ele separar o material patológico a gente vai acondicionar e mandar. Espero mandar ainda hoje (segunda-feira) para Belo Horizonte. Não tem como dizer se vai sair em dez dias, oito dias ou menos, não sei. O professor lá da UFMG é que vai me dar à previsão de quando vai sair”, finalizou.

A assessoria de comunicação da Ufersa enviou uma nota de esclarecimento sobre as mortes dos animais. Segundo a nota, “os óbitos de ovinos registrados no Campus Oeste em Mossoró estão sendo investigados por uma equipe de técnicos (médicos veterinários, zootecnistas e engenheiros agrônomos) e professores do Centro de Ciências Agrárias – CCA”.

A instituição esclarece ainda que “profissionais do Hospital Veterinário - HOVET - estão engajados em buscar o diagnóstico e apresentar as causas das mortes dos ovinos” e que “exames já foram realizados e encaminhados para uma análise mais profunda na Universidade Federal de Minas Gerais”.

Ainda segundo a nota, “até a última sexta, dia 13, segundo levantamento do próprio CCA, foram registrados 8 (oito) óbitos de um total de 50 ovinos presentes no Campus” e “desse total, 6 (seis) estão recebendo tratamento intensivo e os demais estão em observação pela equipe de médicos veterinários e zootecnistas”.

Por fim, “a Ufersa, por meio do Centro de Ciências Agrárias, reforça que os animais recebem manejo e tratamento adequados, com alimentação, medidas sanitárias, limpeza, entre outras ações”.

ENTENDA O CASO

Na última sexta-feira, 13, a professora Débora Façanha relatou a vários veículos de comunicação da cidade que vários animais morreram. Mostrando-se bastante preocupada com a situação, ela afirmou que as mortes começaram no último dia 8 deste mês.

O problema é registrado no núcleo de estudos e pesquisas em pequenos ruminantes, que abriga os animais do Núcleo de geração e transferência de tecnologia em produção animal do semiárido (NUTESA), vinculado ao centro de Ciências agrárias da Ufersa.

A professora desconfia que os casos possam ser de clostridiose, termo genérico usado para doenças causadas por bactérias do gênero Clostridium, que provocam lesões nos órgãos e tecidos dos animais e levam até a morte.

Débora Façanha afirma que tem registros de que vários animais do setor estavam consumindo um volumoso que ficou dias exposto a chuva e a sol. Segundo Façanha, esses animais que morreram pertencem a uma raça com risco de extinção. A pesquisadora lamenta que o problema vá prejudicar os alunos e professores, pois vários trabalhos foram perdidos por conta das mortes dos ovinos.

NOTA DE ESCLARECIMENTO DA UFERSA:

A Universidade Federal Rural do Semi-árido - UFERSA - esclarece que os óbitos de ovinos registrados no Campus Oeste em Mossoró estão sendo investigados por uma equipe de técnicos (médicos veterinários, zootecnistas e engenheiros agrônomos) e professores do Centro de Ciências Agrárias - CCA.

A Ufersa também esclarece que profissionais do Hospital Veterinário - HOVET - estão engajados em buscar o diagnóstico e apresentar as causas das mortes dos ovinos. Exames já foram realizados e encaminhados para uma análise mais profunda na Universidade Federal de Minas Gerais. Os resultados devem ser liberados em até 10 dias.

Até a última sexta, dia 13, segundo levantamento do próprio CCA, foram registrados 8 (oito) óbitos de um total de 50 ovinos presentes no Campus. Desse total, 6 (seis) estão recebendo tratamento intensivo e os demais estão em observação pela equipe de médicos veterinários e zootecnistas.

A Ufersa, por meio do Centro de Ciências Agrárias, reforça que os animais recebem manejo e tratamento adequados, com alimentação, medidas sanitárias, limpeza, entre outras ações.

Jornal De Fato


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